Delegado e agentes são presos na PB por envolvimento com tráfico de drogas
Delegado e agentes presos na PB por tráfico de drogas

A juíza Michelini Jatobá decidiu manter a prisão do delegado da Polícia Civil Braz Morroni, detido durante a Operação Perfídus, deflagrada na manhã desta terça-feira (2), em João Pessoa. A informação foi confirmada pela Justiça da Paraíba.

A investigação apura um esquema criminoso que envolve policiais e traficantes. Além de Braz Morroni, dois agentes da Polícia Civil também foram presos. O delegado era titular da Delegacia Especial de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT).

Após a audiência de custódia, Braz foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, na Zona Sul da capital paraibana. A Justiça não confirmou o resultado da custódia dos demais alvos.

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Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni disse que "é preciso ressaltar o direito constitucional à presunção de inocência" e que "irá analisar os autos visando a adoção das medidas pertinentes para restaurar a liberdade do delegado".

Investigação começou com denúncia de traficante

Segundo o delegado Rafael Bianchi, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia feita por um suspeito de tráfico de drogas. Conforme relatado à polícia, entorpecentes apreendidos teriam sido furtados por agentes da corporação.

Ao longo das apurações, os investigadores reuniram elementos que resultaram na deflagração da operação nesta terça-feira. Ao todo, foram cumpridos oito dos nove mandados de prisão. O único alvo de mandado de prisão que não foi localizado durante a operação foi Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como Babau. Ele foi o responsável pela denúncia. De acordo com a polícia, ele está fora do estado.

Como funcionava o esquema

Segundo as investigações, a organização criminosa contaria com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas. Entre os possíveis crimes, está o desvio de drogas para revenda.

Um dos agentes presos é Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como "Bomba" ou "Bombado". De acordo com a Polícia Civil, ele é apontado como operador central da organização e fazia a ponte entre policiais e traficantes.

O segundo agente é Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como "Mão Branca". O investigador é apontado como participante direto de subtrações de drogas e teria monitorado carregamentos, utilizado rastreadores e escondido drogas em casa.

Já o delegado Braz Morroni de Paiva Junior é apontado pelas investigações como participante da divisão dos lucros obtidos com a venda de drogas desviadas e teria recebido repasses financeiros e usado o cargo para proteger subordinados envolvidos no esquema.

O delegado Rafael Bianchi detalhou que traficantes informavam aos policiais a localização de drogas armazenadas por outros grupos criminosos, os agentes da Polícia Civil faziam a apreensão e repassavam para os criminosos que informavam as localizações dos entorpecentes.

"Traficantes de confiança dos policiais informavam onde havia essa droga armazenada. Os policiais iam até o local, realizavam a subtração e repassavam essa droga para esses traficantes de confiança, que são todos da mesma organização criminosa."

O delegado André Rabello acrescentou que as investigações levaram cerca de 15 meses e que drogas que seriam incineradas também foram desviadas.

"A gente se debruçou e se deparou com essa realidade, com nove alvos, nove traficantes, incluindo três policiais, retirando do meio criminoso entorpecentes e, em vez da entrada na polícia, voltando para outras organizações criminosas. E o que dava entrada na delegacia, quando ia ser incinerado, também havia o desfalque lá naquele momento de incinerar."

Mandados e bloqueio de valores

Além dos oito mandados de prisão, foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados.

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Quem é o delegado preso

Braz Morroni de Paiva Júnior tem mais de 20 anos de atuação na Polícia Civil. Ele foi nomeado delegado de Polícia Civil na Paraíba em 12 de agosto de 2004, após ser aprovado em um concurso público. O delegado atuou na delegacia de Cuité, na delegacia de Itabaiana, na 4ª delegacia distrital de Campina Grande e como plantonista na Segunda Delegacia Regional de Polícia Civil.

Em 2017, Braz Morroni começou a atuar na Delegacia de Repressão a Entorpecentes e, em 2019, assumiu a DCCPAT. O delegado da Polícia Civil Braz Morroni e dois agentes presos na manhã desta terça-feira (2), durante uma operação contra o tráfico de drogas em João Pessoa, serão afastados das funções e podem ser expulsos da corporação. A informação foi confirmada pelo secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, à CBN.

Outros presos na operação

  • João Wicttor Alves de Lima
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza ("Galinha")
  • José Alexandrino de Lira Júnior ("Júnior Lira")
  • Vanessa Dantas Fernandes
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva ("Babau"), é o traficante que denunciou o delegado e está foragido.

As defesas não foram localizadas até a publicação desta matéria. Não se tem informações sobre o resultado da audiência de custódia dos outros presos na operação até a publicação desta matéria.