O corpo encontrado em um contêiner em um navio no Porto de Santos, no litoral de São Paulo, segue sem identificação quase três anos depois de ter sido localizado por um scanner de segurança. A Polícia Federal encaminhou as características do cadáver à Interpol, por meio de uma Difusão Preta, na tentativa de descobrir a identidade do homem. O DNA recolhido e mantido sob custódia da PF é considerado a principal esperança para o reconhecimento, caso algum familiar procure as autoridades para fazer o confronto.
Difusão Preta e o arquivamento do inquérito
Em nota, a Polícia Federal confirmou que o inquérito foi arquivado após o encerramento de todas as diligências possíveis. Mesmo assim, os dados levantados durante as investigações e as características do corpo foram compartilhados com a Interpol por meio da Difusão Preta, um mecanismo usado para divulgar informações sobre cadáveres não identificados ou restos humanos, com o objetivo de facilitar a identificação.
Esse tipo de alerta permite que as polícias dos países membros da Interpol troquem dados considerados críticos para a elucidação de crimes e de casos de pessoas desaparecidas. Cada notificação tem uma cor específica; a preta é voltada especificamente a corpos sem identificação.
Características da vítima
De acordo com apuração da reportagem, um dos laudos descreve o cadáver como um homem adulto, com 1,60 metro de altura, pele preta e cabelos curtos, pretos e crespos. As investigações conduzidas pela Polícia Federal indicam que o homem, ou o corpo já sem vida, teria embarcado no contêiner durante a passagem do navio pela Costa do Marfim. Por isso, acredita-se que a vítima tenha nascido ou morado no país africano.
O delegado da Polícia Federal Edson Patrício do Nascimento afirmou ao g1 que a corporação solicitou cooperação jurídica internacional para a realização de diligências na Costa do Marfim, mas não obteve retorno até agora. A embaixada do país africano também não respondeu aos contatos da reportagem.
Trajeto do navio e descoberta do corpo
O navio partiu de Singapura e atracou em 1º de setembro de 2023 no Porto de Tanger, no Marrocos, quando o contêiner foi embarcado. A embarcação também passou pela Costa do Marfim, onde as portas do contêiner foram lacradas até serem abertas em Santos. O cadáver, já em estado avançado de decomposição, foi detectado por um scanner de segurança no dia 14 de setembro de 2023. A tecnologia, que combina inteligência artificial e ondas de calor, apontou a silhueta de um corpo humano dentro da carga.
Em entrevista ao g1, o delegado Edson Patrício do Nascimento afirmou: "A morte teria ocorrido por alguma circunstância relacionada a [pessoa] ter ficado presa no contêiner durante a viagem até Santos. [Sobre] a identidade, a investigação não conseguiu apontar por se tratar de diligências necessárias lá na Costa do Marfim."
DNA sob custódia da PF
A Polícia Federal está com o material genético do homem. O g1 teve acesso ao resultado do exame necroscópico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande (SP), que apontou causa indeterminada para a morte e foi inconclusivo para a identificação do cadáver. A polícia também não sabe o motivo de ele ter entrado ou sido colocado dentro do contêiner.
O IML já havia informado ao g1 que o corpo permanecia sem identificação por causa da ausência de registro dactiloscópico no Brasil. Isso significa que esta seria a primeira vez que um indivíduo com esse perfil genético seria identificado no país. Caso um familiar da vítima apareça, o material genético coletado poderá ser confrontado e, com isso, o cadáver poderá ser finalmente identificado.
Próximos passos
Com o inquérito arquivado e a solicitação de cooperação internacional ainda sem resposta, a expectativa das autoridades depende agora da Interpol e do eventual surgimento de familiares. O caso, que repercutiu em todo o país, continua em aberto enquanto o corpo permanece no aguardo de um nome.



