Gusttavo Losi, um dos contratados pelo grupo que realizou o salto de rope jump que resultou na morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, relembrou em entrevista exclusiva à EPTV, afiliada da TV Globo, os momentos que antecederam a tragédia. Losi afirmou que foi responsável por recepcionar os praticantes e fazer a equipagem inicial, colocando a cadeirinha, o peitoral e os mosquetões. Ele confirmou que fez essa equipagem em Maria Eduarda e que ela estava visivelmente nervosa.
Conversa com a vítima antes do salto
“O meu contato com a Maria Eduarda foi colocar a cadeirinha nela, o peitoral, os mosquetões. Ela estava nervosa. Como sempre conversei com as pessoas, perguntei: 'e aí, como você se chama? Está nervosa? É a primeira vez?'. Ela falou que era a primeira vez dela, que ela estava muito nervosa. Lembro que enquanto eu colocava o equipamento nela, falei: 'pode ficar tranquila, vai dar tudo certo, você vai gostar, querer vir mais vezes'.”, relatou Losi.
O momento da queda e o socorro
O contratado do grupo contou que já estava recepcionando outra pessoa para saltar quando ouviu o barulho da queda de Maria Eduarda. Ele desceu com uma enfermeira e uma fisioterapeuta até onde a jovem estava. “A gente chegou até o corpo. Quando cheguei lá, a Maria Eduarda estava viva, estava com uma respiração muito ofegante. Lembro que a [nome da enfermeira] começou a conversar com a Maria Eduarda e fiquei ali olhando, tentando entender o que eu poderia fazer. Falei para a [nome da enfermeira]: 'posso desrosquear um pouquinho só para afrouxar um pouco o mosquetão, para não apertar tanto o tórax dela, para ver se ela consegue respirar melhor?'. Daí ela falou: 'se for só desrosquear, pode, não pode mexer, não pode tirar o equipamento'.”
Falta de checagem e responsabilidade
Losi reconheceu que a morte da jovem poderia ter sido evitada se houvesse checagem nos equipamentos de segurança. “Sim [morte podia ter sido evitada]. Faltou checagem. É triste. Só levantaram ela e fizeram o salto. Se tivesse tido a checagem antes, teria salvo a vida dela, como em todos os outros saltos.” Ele alegou que outras pessoas deviam ter colocado as cordas nela e feito a checagem final dos equipamentos, e que não era sua função essa verificação. Losi foi levado à delegacia, prestou depoimento e foi liberado, pois a polícia concluiu que ele não foi responsável pela queda.
Imagens que marcaram e a câmera perdida
Sobre a câmera que Maria Eduarda usava para gravar o salto, Losi afirmou que não reparou se ela estava com o equipamento, pois o foco era ajudá-la. O aparelho ainda não foi encontrado e é considerado essencial para a reconstrução do caso. Após a queda, ele subiu a ponte para organizar os equipamentos antes da chegada da Polícia Militar. “Puxei os equipamentos que ficavam pendurados, era uma tenda, empurrei para o lado para poder tirar e organizar. Daí, nisso, os policiais chegaram e abordaram a gente.”
O sentimento de Losi e a atuação como freelancer
Losi disse que conheceu o grupo “Entre Cordas” por redes sociais e começou a atuar como freelancer em 2025. “Sinto muito pelo que aconteceu. Por mais que eu não tenha tido participação direta no que houve, por mais que não fosse minha função a checagem de segurança, foi algo que mexeu comigo. São imagens que vou levar para o resto da minha vida. O que eu podia fazer, que estava no meu alcance, no meu conhecimento, eu fiz. Não fugi. Fiquei muito abalado”, finalizou.
Os presos e indiciados
Três instrutores presos desde o dia da tragédia foram indiciados por homicídio com dolo eventual: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos; e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos. Um segundo inquérito investiga a conduta de outros três presos: João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins.
A tragédia na Ponte do Esqueleto
Maria Eduarda foi lançada de uma altura de cerca de 40 metros da Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis (SP), sem o uso de cordas de segurança. Imagens gravadas mostram o momento em que ela é arremessada e a reação de pessoas que dizem: “Gente, a corda!”. O rope jump utiliza cordas estáticas, ao contrário do bungee jump. A jovem morreu na queda.



