Funcionário relata desproteção em clínica fechada por guerra do tráfico no Rio
Clínica fechada por tráfico: funcionário relata desproteção

Uma clínica da família na Zona Norte do Rio de Janeiro permanece fechada pelo sexto dia consecutivo, vítima da guerra entre facções do tráfico de drogas que assola a região. Um funcionário da unidade, que preferiu não se identificar por medo de represálias, descreveu um cenário de abandono e medo.

Relato de desamparo

"A gente se sente desprotegido. Virou terra de ninguém", desabafou o trabalhador, que atua na unidade há mais de cinco anos. Segundo ele, os confrontos armados entre grupos criminosos rivais tornaram impossível manter o atendimento à população. "Não há condições de trabalhar com tiroteio constante. Os pacientes também não conseguem chegar", completou.

Impacto na comunidade

A clínica, que atende centenas de pessoas por dia, é a única opção de saúde básica para moradores de diversos bairros próximos. Com o fechamento, pacientes com doenças crônicas, gestantes e crianças ficam desassistidos. "Temos idosos que precisam de medicação contínua e não têm para onde ir", lamentou o funcionário.

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A Secretaria Municipal de Saúde informou que está monitorando a situação e que a reabertura depende de garantias de segurança por parte das forças policiais. No entanto, até o momento, não há previsão para o retorno das atividades.

Violência em escala

A região tem sido palco de uma escalada de violência desde o início do ano, com disputas territoriais entre facções. Moradores relatam noites de tiroteio intenso e a presença constante de homens armados. "A gente vive em estado de sítio. Ninguém sai de casa depois das 18h", afirmou uma moradora local.

O fechamento da clínica é mais um reflexo da crise de segurança que afeta o Rio de Janeiro. Especialistas apontam que a falta de políticas públicas efetivas de combate ao crime organizado e de integração entre forças de segurança contribui para o avanço da criminalidade.

Reivindicações e próximos passos

Os funcionários da clínica cobram ações concretas do poder público. "Não queremos apenas promessas. Precisamos de segurança para trabalhar e atender a população", disse o funcionário. A Associação de Moradores local já protocolou um pedido de reunião com a Secretaria de Segurança Pública para discutir a situação.

Enquanto isso, a comunidade se organiza como pode. Voluntários improvisaram um ponto de apoio em uma igreja para distribuir medicamentos básicos, mas a estrutura é precária. "É um paliativo. Não substitui uma unidade de saúde", explicou um líder comunitário.

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