O presidente da comissão de arbitragem da Federação Cearense de Futebol (FCF), Paulo Sílvio dos Santos, de 55 anos, é alvo de uma investigação policial após denúncias de assédio sexual feitas por quatro árbitras. Uma das vítimas alega ter sido estuprada por ele em 2023. Paulo Sílvio, que está afastado do cargo que ocupa desde 2016, nega todas as acusações por meio de seu advogado.
Relatos convergentes das vítimas
As quatro árbitras, que integram ou integraram o quadro de arbitragem do estado, prestaram depoimentos na Delegacia da Mulher e também na FCF, que instaurou um procedimento interno. O ge teve acesso ao conteúdo desses depoimentos. Os nomes das vítimas foram preservados.
Uma das árbitras relatou que, no fim de 2022, passou a receber convites de Paulo Sílvio para encontros fora do horário de trabalho, sempre por volta das 23h. Ele a chamava para ir à sua casa ou a festas, mas ela recusava. Os assédios duraram até o fim de 2023, quando ela começou a namorar outro árbitro. A partir daí, percebeu que foi escanteada nas escalas e, em 2025, abandonou a carreira. Ela mencionou uma foto de 2023 em que Paulo Sílvio aparece pegando em seus glúteos.
Assédio durante curso de formação
Outra árbitra contou que, ao ingressar no curso de formação em 2020, Paulo Sílvio já tinha fama de "mulherengo" e enviava mensagens para as mulheres do curso. Ela sofreu "diversos assédios", com convites insistentes para aulas particulares ou almoços, sempre negados. Em encontros presenciais, ele a tocava de forma não habitual, com abraços e alisamentos, só parando quando ela o empurrava. Em 2024, durante um treino, ele disse: "Você não está lá porque não quer, escolheu errado", referindo-se ao relacionamento dela com outro árbitro. As escalações diminuíram, e o assédio só cessou no fim de 2024, quando ela se casou e engravidou.
Promessas de crescimento e episódio em motel
Uma terceira árbitra relatou "abraços maldosos" durante o curso e convites para tomar vinho na varanda, com a justificativa de que "as pessoas não precisavam saber daquilo". Paulo Sílvio prometeu que, se ela cedesse, cresceria na arbitragem; ela respondeu que preferia não crescer. Depois disso, passou a evitar treinos físicos. Em janeiro de 2023, após uma comemoração de pré-temporada, ele sugeriu que o grupo fosse para um motel. Lá, ele a jogou na cama, tentou beijá-la e agarrá-la, e, quando ela foi ao banheiro, ele a seguiu e tentou tocá-la com os dedos. Ela conseguiu escapar e foi para casa "arrasada", sofrendo por muito tempo. Posteriormente, foi removida do grupo de "promissores" sem explicação.
Testemunha do estupro
A quarta árbitra disse que, ao chegar a Fortaleza, foi avisada sobre o comportamento de Paulo Sílvio. Ele a elogiava, dizia que ela seria árbitra Fifa e a convidava para tomar vinho. Em uma ocasião, afirmou: "Se você fosse pelo caminho certo, não iria sofrer". Ela entendeu que deveria aceitar os convites para ter facilidades. Na comemoração de pré-temporada de 2023, ele sugeriu irem a um motel. Lá, ela viu a terceira árbitra indo ao banheiro, seguida por Paulo Sílvio. Vinte minutos depois, a colega saiu "chorando muito" e pedindo para ir embora. No dia seguinte, a vítima contou que ele pegou em suas partes íntimas e tentou penetração com o órgão genital, não conseguindo, e introduziu os dedos.
Defesa de Paulo Sílvio
O advogado de Paulo Sílvio nega todas as acusações. Em nota, afirma que as denúncias são infundadas e que seu cliente confia na apuração dos fatos para provar sua inocência. Enquanto isso, o dirigente permanece afastado do cargo.



