O funcionário público Moisés Pedroso, de 58 anos, conseguiu retirar os móveis de sua casa de lazer minutos antes de a estrutura ser arrastada pela correnteza do Rio das Antas, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, na manhã desta quarta-feira (22). O incidente ocorreu na Linha Alcântara, zona rural do município.
Resgate rápido e perda total
Pedroso trabalhava no resgate de pertences de vizinhos quando percebeu a rápida elevação do nível do rio e decidiu esvaziar sua própria residência. Após a retirada da mobília, entulhos de madeira trazidos pela enxurrada atingiram a estrutura da casa, que cedeu e foi levada pela força da água.
A estrutura percorreu cerca de 30 km, sendo arrastada pelo Rio das Antas até o Rio Taquari, e foi avistada na cidade de Santa Tereza. Não houve feridos.
Local de lazer e planos cancelados
O imóvel não era a moradia principal de Pedroso, mas um espaço de lazer utilizado nos finais de semana, onde ele costumava passar até quatro dias seguidos com a esposa, as duas filhas e amigos. Ele lamentou o cancelamento da festa de aniversário de 59 anos, que seria realizada no local em setembro.
Apesar do prejuízo, o proprietário manteve otimismo. “A gente sente, mas eu faço de novo alguma coisinha ali, devagarzinho, com a ajuda das pessoas, e vou fazer de novo para a gente ter um lazer”, afirmou. “Quando não são vidas, é coisas materiais, a gente vai dando um jeitinho e consegue. O ruim eu sempre digo quando são vidas, aí é mais complicado”, completou.
Histórico de enchentes
Esta não é a primeira vez que Pedroso sofre perdas devido a enchentes. Ele manteve um espaço de lazer na localidade de Santa Bárbara, às margens do Rio Carreiro, por cerca de dez anos, mas perdeu as estruturas em três enchentes distintas — duas fortes e uma de menor intensidade.
Após a queda de uma ponte que dava acesso à antiga propriedade, ele comprou o terreno na Linha Alcântara, pelo qual ainda está pagando. “Conseguimos comprar esse pedacinho pro lado de cá. Já estava ruim a coisa ali, mas conseguimos, até inclusive eu tô pagando ainda”, explicou. “Infelizmente aconteceu de novo, mas a gente tá bem, tá tudo tranquilo”, finalizou.
O número de pessoas fora de casa aumenta no Rio Grande do Sul, e quase 200 cidades registram danos em decorrência das chuvas.



