Capitã da PM é encontrada morta; marido sargento é preso
Capitã da PM morta; marido sargento preso

A capitã da Polícia Militar de Minas Gerais, Michele Leão Azevedo, de 38 anos, foi encontrada morta na noite de segunda-feira (20) no Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste de Belo Horizonte. O marido dela, o sargento Eduardo, também da PM, foi preso em flagrante suspeito de envolvimento na morte.

De acordo com o boletim de ocorrência, Michele deu entrada no hospital por volta das 21h35, já sem sinais vitais. A médica plantonista informou à polícia que a vítima apresentava assistolia, quadro compatível com parada cardiorrespiratória instalada há tempo considerável.

Múltiplas lesões e indícios de violência

A equipe médica identificou diversas lesões pelo corpo da capitã: traumatismo craniano, ferimentos nas pernas, hematomas, marcas lineares compatíveis com chicotadas e um corte de grandes proporções na região frontal da cabeça. Diante dos indícios de violência, a Polícia Militar foi acionada. Os médicos estimaram que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada ao hospital.

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O sargento Eduardo foi detido no hospital e levado para o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde prestou depoimento.

Versão do sargento: relação consensual com agressões

Em seu depoimento, Eduardo afirmou que na noite anterior o casal promoveu uma confraternização em casa, com consumo de bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy. Segundo ele, após a saída dos convidados, os dois mantiveram relações sexuais consensuais com práticas de dominação e agressões físicas, algo que, segundo ele, fazia parte do relacionamento havia cerca de oito anos. Os atos teriam sido gravados em vídeo.

Eduardo disse ainda que, por volta do meio-dia de segunda-feira, Michele teria caído da escada da residência, sofrendo um corte na cabeça e outros ferimentos. Ele afirmou que prestou os primeiros socorros, deu banho na esposa, estancou o sangramento e a colocou para descansar. Segundo sua versão, ela recusou atendimento médico por estar constrangida devido ao consumo de drogas. O sargento disse que ambos dormiram durante a tarde e que, ao acordar por volta das 21h, percebeu que Michele não respondia a estímulos, decidindo levá-la ao hospital.

Ecstasy descartado e apreendido

Enquanto aguardava no hospital, Eduardo pediu para usar o banheiro. Acompanhado por um oficial, ele foi visto descartando uma pequena caixa metálica em uma lixeira. Dentro do recipiente, os policiais encontraram comprimidos com características semelhantes às da droga sintética ecstasy. O sargento confirmou que havia jogado o material fora. A substância foi apreendida e será submetida a perícia.

Família relata relacionamento abusivo

A mãe da vítima afirmou à polícia que considerava o relacionamento da filha abusivo e marcado por controle psicológico. Segundo ela, Michele vivia sucessivas separações e reconciliações com Eduardo nos últimos anos. A mãe tinha um encontro marcado com a filha na manhã de segunda-feira, mas Michele telefonou dizendo que não poderia comparecer. Depois disso, enviou diversas mensagens sem obter resposta.

A mãe também disse que passou a desconfiar do uso de drogas pela filha apenas após o início do relacionamento com o sargento. A irmã de Michele informou que ela considerava Eduardo uma pessoa narcisista, tentava terminar o relacionamento e que, em uma discussão anterior, ele teria empunhado uma faca.

Perícia e investigação em andamento

Durante a perícia no apartamento do casal, os peritos apreenderam um cabo de madeira quebrado encontrado no lixo do prédio, que pode ter sido utilizado para agredir a vítima. Também foram recolhidas roupas de cama que estavam lavadas e ainda molhadas na máquina de lavar. O veículo usado para levar Michele ao hospital foi periciado e removido. O celular do sargento e os comprimidos apreendidos foram encaminhados para análise.

O corpo de Michele foi levado ao Instituto Médico-Legal (IML), onde passará por necropsia. O caso é investigado pela Polícia Civil de Minas Gerais.

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