Caminhoneiro tinha cocaína e 1,5x mais álcool ao atropelar estudante
Caminhoneiro tinha cocaína e excesso de álcool ao atropelar

O caminhoneiro Matheus Henrique Poly Garcia, acusado de dirigir embriagado, atropelar e matar a estudante Joyce Muraoka, de 19 anos, tinha cocaína e 1,5 vezes mais álcool no organismo do que o permitido por lei. Ele foi preso após o atropelamento, ocorrido em Jacupiranga, no interior de São Paulo.

Laudo toxicológico confirma álcool e cocaína

De acordo com o laudo obtido pelo g1, o exame de sangue detectou a presença de 1,5 g/L de álcool etílico, número 150% maior do que o permitido por lei, que é 6 dg/L. Também foi confirmada a presença de cocaína no sangue do motorista. A análise qualitativa detectou cocaína e seus produtos de biotransformação, como benzoilecgonina, éster metil ecgonina, ecgonina e cocaetileno. O g1 não conseguiu contato com a defesa do réu até a última atualização desta reportagem.

O acidente

O acidente aconteceu em 5 de maio, quando Joyce estava em um ponto de ônibus às margens da rodovia que liga Jacupiranga a Eldorado. Além da estudante, um homem de 45 anos também foi atingido e ficou ferido. Joyce não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Imagens obtidas pelo g1 mostram o comportamento do caminhoneiro momentos antes do atropelamento. Nos vídeos, é possível ver o homem com um dos pés para cima e ingerindo bebida alcoólica enquanto dirigia o veículo.

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Detalhes do laudo

Segundo o laudo de exame toxicológico, a coleta de sangue de Matheus foi realizada no dia do acidente. A partir dela, foram realizadas análises de quantificação de álcool etílico em sangue e pesquisa de drogas de abuso. O resultado confirmou álcool etílico na concentração de 1,5 g/L no sangue do motorista. De acordo com a Resolução nº 432 do Conselho Nacional de Trânsito, é considerado infração qualquer concentração de álcool por litro de sangue e crime de embriaguez ao volante quando o exame de sangue apresenta resultado igual ou superior a 6 dg de álcool por litro de sangue.

Relembre o caso

O atropelamento ocorreu na Rodovia José Edgard Carneiro (SP-193), por volta das 18h30 do dia 5 de maio. As vítimas foram socorridas em Eldorado (SP), mas Joyce não resistiu. Após a colisão, o caminhão caiu em uma ribanceira e o motorista fugiu para uma área de mata, sendo detido por testemunhas. Na delegacia, Matheus Henrique Poly Garcia tentou se passar por passageiro e alegou que outro homem dirigia o caminhão. No dia seguinte, policiais civis localizaram o ajudante apontado como motorista. Aos agentes, o jovem disse que fugiu do local a pedido do patrão. Encaminhado à delegacia, ele desmentiu a versão de Garcia e afirmou que era passageiro do veículo. O rapaz apresentou ainda um vídeo que mostrava o caminhoneiro ao volante, embriagado, momentos antes do acidente. Em seguida, o ajudante foi liberado.

Denúncia do Ministério Público

De acordo com a denúncia do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), o acidente ocorreu no retorno de uma viagem que Matheus havia realizado para entregar uma carga em Eldorado. Durante o trajeto, o motorista teria feito uma ultrapassagem forçada e, ao se aproximar de um radar, freou bruscamente. Nesse momento, a porta do caminhão se abriu e, ao tentar fechá-la, ele perdeu o controle do veículo. A promotoria atribui a Matheus os crimes de homicídio qualificado pela morte de Joyce, tentativa de homicídio qualificado contra o sobrevivente e o crime de embriaguez ao volante. O MP pede que ele seja julgado pelo Tribunal do Júri. Com o recebimento da denúncia pela 1ª Vara de Jacupiranga, Matheus passou à condição de réu.

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