Caminhoneiro alega ponto cego e tacógrafo será analisado
Caminhoneiro alega ponto cego; tacógrafo será analisado

O tacógrafo do caminhão que arrastou o carro de uma idosa na Via Dutra, em São José dos Campos (SP), será analisado pela Polícia Civil para esclarecer a dinâmica do acidente. O equipamento registra dados como velocidade, distância percorrida e tempo de parada. Imagens de câmeras de segurança também serão usadas na investigação.

Versão do motorista é questionada

O delegado Thiago Amaral Fonseca, responsável pelo caso, afirmou que a versão apresentada pelo motorista não parece compatível com a dinâmica do acidente. Para ele, não é razoável que o caminhoneiro tenha seguido até outro ponto para aguardar, principalmente após um impacto que deixou o carro da vítima completamente destruído.

O acidente ocorreu na semana passada, quando o carro da aposentada Maria Auxiliadora de Carvalho, de 83 anos, foi arrastado por cerca de 700 metros na rodovia. Apesar da gravidade, ela não sofreu ferimentos.

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Depoimento do caminhoneiro

Em depoimento, o caminhoneiro afirmou que não viu o veículo por causa de um ponto cego. A defesa alega que ele não fugiu e que seguiu até um local seguro após o impacto, onde teria aguardado por atendimento. A Polícia Rodoviária Federal (PRF), no entanto, contesta essa versão. Segundo a PRF, os registros mostram que o caminhão fez uma breve parada após o acidente, seguiu viagem, passou em frente ao posto da corporação sem parar e o motorista não acionou o telefone de emergência 191.

Nesta segunda-feira (6), o caminhoneiro prestou depoimento à Polícia Civil. Ele foi ouvido e liberado. A investigação continua.

Detalhes do acidente

O acidente aconteceu por volta das 11h do dia 1º de fevereiro, no km 145 da Rodovia Presidente Dutra, sentido São Paulo, na região da Vila Industrial, Zona Leste de São José dos Campos. Segundo Maria Auxiliadora, ela seguia pela rodovia quando precisou mudar de faixa por causa de um estreitamento na pista. "Teve um estreitamento com cones, eu dei seta pra esquerda e o caminhão alegou que não me enxergou", disse a idosa.

O que diz a defesa

Em entrevista à Rede Vanguarda, o advogado do caminhoneiro, Antônio Franc, afirmou que o motorista comunicou a um funcionário da concessionária que seguiria até um local seguro para estacionar a carreta, já que o trecho da Via Dutra estava em obras e uma parada imediata poderia bloquear a pista. Segundo a defesa, o caminhoneiro percebeu que a idosa estava fora do veículo, aparentemente sem ferimentos, falando ao celular e fotografando o caminhão. Depois disso, seguiu até um posto de combustíveis, onde aguardou por cerca de duas horas para registrar a ocorrência. O advogado também afirmou que, por questões de segurança, o motorista não poderia abrir a porta da carreta naquele trecho da rodovia e, por isso, decidiu seguir até um local considerado seguro para parar.

Posição da concessionária

O g1 procurou a CCR RioSP para comentar a versão apresentada pelo caminhoneiro. Em nota, a concessionária informou que havia um acostamento a cerca de 500 metros do local da colisão, onde o caminhão poderia ter parado com segurança, e que não havia necessidade de deixar o local da ocorrência. A empresa, no entanto, não respondeu ao questionamento sobre a declaração do motorista de que teria feito contato com um funcionário da concessionária após o acidente.

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