Brasil: aumento de motos e sinistros acende alerta para segurança viária
Brasil: aumento de motos e sinistros acende alerta

O Brasil vive um paradoxo sobre duas rodas. Ao mesmo tempo em que a motocicleta se consolida como ferramenta de mobilidade, trabalho e acesso à renda para milhões de brasileiros, crescem também os sinistros envolvendo motociclistas. Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), a previsão é de que sejam comercializadas 2,4 milhões de motos em 2026, aumento de 10% em relação a 2025. Esse volume deve se somar às mais de 37 milhões de motocicletas e motonetas em circulação no País, refletindo uma transformação importante na mobilidade urbana brasileira.

Crescimento das motos e riscos nas cidades

Se, por um lado, esse crescimento representa acesso, praticidade e oportunidade de geração de renda, por outro também acende um alerta. As ocorrências envolvendo motociclistas nas cidades vêm aumentando de forma preocupante. Em São Paulo, por exemplo, os sinistros com motos cresceram quase 20% em 2024 na comparação com 2023, segundo dados do Infosiga. A combinação de diversos fatores como jornadas extensas, trânsito intenso e a falta de infraestrutura adequada cria um ambiente de risco constante. Em muitas cidades brasileiras, o motociclista passou a ocupar um papel central na dinâmica urbana, mas ainda segue invisível em boa parte das discussões sobre mobilidade e segurança viária.

Campanhas de conscientização ganham força

Não por acaso, o tema do Maio Amarelo do Observatório Nacional de Segurança Viária neste ano foi: “No trânsito, enxergar o outro é salvar vidas.” E talvez neste momento o maior desafio esteja justamente em ampliar o significado desse “enxergar”. Enxergar o outro no trânsito é compreender que todos compartilham o mesmo espaço urbano — motociclistas, motoristas, ciclistas e pedestres — e que a segurança depende da forma como cada um se relaciona com o outro nas ruas. Os acidentes não acontecem por acaso. Eles são resultado de uma combinação de fatores. Há espaço para melhoria em diversas frentes, como redução da velocidade de pilotagem, infraestrutura, formação do motociclista, imprudência dos condutores e na consistência das políticas públicas.

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Semana Nacional de Prevenção a Acidentes com Motociclistas

Esse esforço de conscientização também ganha força com iniciativas voltadas especificamente à proteção dos motociclistas. A Semana Nacional de Prevenção a Acidentes com Motociclistas busca conscientizar a sociedade sobre os riscos e a importância da segurança no trânsito para quem utiliza motocicletas. Realizada anualmente em julho, a iniciativa reforça a necessidade de manter o tema em evidência e estimular ações permanentes de prevenção e educação no trânsito. Por isso, empresas do setor, poder público, fabricantes, empregadores e condutores precisam assumir uma responsabilidade conjunta nessa transformação. Segurança viária não pode se resumir a ações em campanhas pontuais. Precisa ser um compromisso contínuo, sustentado por educação, conscientização, investimento e planejamento urbano.

Tecnologia como aliada, mas não solução isolada

A boa notícia é que a tecnologia começa a abrir caminhos promissores. O mercado vem avançando no desenvolvimento de sistemas de frenagem ABS mais inteligentes, controle de tração, sensores de ponto cego, iluminação adaptativa e estudos com inteligência artificial voltados à prevenção de colisões. Ainda assim, tecnologia sem consciência não basta. Humanizar o trânsito exige empatia, educação e visão coletiva. Exige enxergar o motociclista não como estatística ou obstáculo, mas como alguém que compartilha o mesmo espaço urbano que nós, que sustenta uma família e que quer voltar para casa em segurança.

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