A Bolívia apreendeu 189 quilos de ouro em um jatinho particular associado a um empresário brasileiro, com destino a Dubai. A carga, composta por 77 barras avaliadas em cerca de R$ 120 milhões, foi interceptada no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra, antes do embarque.
Detalhes da apreensão
Adrián Lema Roça, de 22 anos, foi preso no dia 22 de julho ao tentar embarcar com quatro malas contendo as 77 barras de ouro. De acordo com o secretário de Segurança Cidadã de Santa Cruz, coronel Jorge Santisteban, Adrián não é o proprietário da carga. Ele se encontra em prisão preventiva no presídio de Palmasola, investigado pelos crimes de enriquecimento ilícito de particulares em detrimento do Estado, contrabando e compra e venda ilegal de recursos minerais. O g1 não localizou a defesa do jovem.
Investigação em andamento
Cinco pessoas inicialmente detidas foram liberadas, entre elas funcionários da Alfândega e do Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (Senarecom), que acompanhavam o jovem na área de raio-X. A liberação levou o governo boliviano e o Ministério Público a abrir um inquérito para apurar as circunstâncias da decisão. Segundo Santisteban, o ouro saiu de uma mina em La Paz e foi transportado por via terrestre, em carro particular, até Santa Cruz. A origem exata do minério não foi divulgada, e o Banco Central da Bolívia não forneceu detalhes sobre essa parte da investigação. O ouro permanece sob custódia do Ministério Público boliviano.
Destino Dubai e o jatinho
De acordo com a polícia boliviana, a carga tinha como destino Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e era transportada sem autorização para exportação. A aeronave, de prefixo PS-ZRZ, pertence ao empresário Valdir José Zorzo, dono do Grupo Dallas, de Mato Grosso do Sul. Em nota, a empresa informou que o empresário não estava a bordo, não autorizou o voo e nega qualquer envolvimento no caso. O grupo afirmou que a aeronave é de uso particular e não presta serviço de fretamento comercial. O caso foi divulgado na terça-feira (28) pela Aduana da Bolívia, que informou que os responsáveis não apresentaram autorização para exportar o ouro nem registraram a operação no sistema oficial de comércio exterior. Além disso, um formulário apresentado pelos suspeitos foi considerado inválido.
Posicionamento do Grupo Dallas
Em nota enviada ao g1, o Grupo Dallas esclareceu: "A aeronave de prefixo PS-ZRZ é de propriedade particular, destinada a uso próprio, e não opera serviços de fretamento comercial. Seu proprietário não estava a bordo e não autorizou qualquer prática em desacordo com as leis vigentes. A informação de que a aeronave teria sido apreendida não é verídica. A aeronave encontra-se em território brasileiro e não está sujeita a qualquer medida de apreensão. O Sr. Valdir Zorzo tomou conhecimento dos fatos por meio da imprensa e determinou a imediata apuração interna, com preservação integral dos registros e colaboração com as autoridades competentes, no Brasil e no exterior. O Sr. Valdir Zorzo e o Grupo Dallas repudiam qualquer prática ilícita e colocam-se à disposição das autoridades para o pleno esclarecimento dos fatos." O grupo afirmou que se posicionará em momento oportuno, respeitando o sigilo das investigações.



