O traficante Fernandinho Beira-Mar, um dos criminosos mais procurados do Brasil e incluído na lista de sanções dos Estados Unidos, revelou em depoimento à Justiça brasileira detalhes de seu esquema de troca de armas por cocaína com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Vídeos inéditos e documentos obtidos pela reportagem mostram como Beira-Mar operava o comércio ilegal, vivendo escondido na Colômbia por dois anos sob identidade falsa.
Esquema de armas e cocaína com as Farc
No depoimento, Beira-Mar afirmou que negociava diretamente com guerrilheiros das Farc, fornecendo armas em troca de cocaína. A droga era então transportada para os Estados Unidos, utilizando rotas que passavam por diversos países da América Latina. O traficante disse que a parceria com as Farc era essencial para manter o fluxo de entorpecentes, já que os guerrilheiros controlavam vastas áreas de produção na Colômbia.
“Eu trocava armas por cocaína. As Farc tinham a droga e precisavam de armamento. Era um negócio lucrativo para os dois lados”, declarou Beira-Mar, segundo transcrições do depoimento. Ele também mencionou que a operação envolvia logística complexa, com carregamentos de armas vindos do Brasil e da Europa.
Fuga e vida na clandestinidade
Beira-Mar contou que fugiu para a Colômbia após escapar da prisão no Brasil, onde cumpria pena por tráfico de drogas. Durante dois anos, viveu em cidades do interior colombiano com documentos falsos, mudando constantemente de endereço para evitar a captura. “Eu tinha medo de ser extraditado para os Estados Unidos. Lá, a pena é muito mais pesada”, disse.
O traficante foi indiciado nos EUA por tráfico de drogas e está na lista de sanções do Departamento do Tesouro americano, que congela seus bens e proíbe transações financeiras com ele. A inclusão na lista, segundo especialistas, dificulta a movimentação de recursos e a continuidade de suas operações criminosas.
Impacto e reações
O depoimento de Beira-Mar foi considerado um dos mais detalhados já prestados por um grande traficante brasileiro sobre a relação com as Farc. Para as autoridades, as informações podem ajudar a desmantelar redes de tráfico que atuam na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A Polícia Federal e a DEA (Drug Enforcement Administration) dos EUA acompanham o caso.
Até o momento, nem as Farc nem representantes de Beira-Mar comentaram as acusações. O traficante permanece preso no Brasil, aguardando julgamento por novos crimes. Sua defesa alega que o depoimento foi dado voluntariamente e que Beira-Mar colabora com a Justiça para reduzir sua pena.



