As câmeras de segurança do sistema Smart Sampa foram fundamentais para que a polícia reconstruísse a rota de fuga e identificasse os veículos usados no atentado contra o tenente da Rota Ronickson Pimentel dos Santos, de 39 anos. O crime ocorreu na manhã de sábado (27), na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. O policial militar foi baleado na cabeça por dois homens em uma motocicleta enquanto estava parado em um semáforo.
Estado de saúde e socorro
Ronickson foi socorrido pelo helicóptero Águia e levado ao Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde passou por uma cirurgia neurológica de emergência. Até esta segunda-feira (29), ele segue internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado gravíssimo, porém estável, sob monitoramento neurológico contínuo, segundo a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública.
Quem é o tenente da Rota
Ronickson Pimentel dos Santos tem 39 anos e ingressou na Polícia Militar de São Paulo em 2009 como soldado, após atuar como fuzileiro naval na Marinha do Brasil entre 2006 e 2009. Em 2015, tornou-se oficial pela Academia de Polícia Militar do Barro Branco. Acumulou sete anos de experiência em Força Tática e, em 2019, passou a atuar no 1º Batalhão de Polícia de Choque Tobias de Aguiar, a Rota. Ele é irmão mais velho de Eloá Cristina Pimentel, adolescente de 15 anos assassinada em 2008 por Lindemberg Alves, caso de grande repercussão nacional.
Como ocorreu o atentado
Imagens de câmeras de segurança mostram Ronickson em uma motocicleta, parado em um semáforo. Segundos depois, dois homens em outra moto se aproximam e efetuam os disparos. Após o ataque, a dupla fugiu do local. O governador Tarcísio de Freitas afirmou acreditar que foi uma tentativa de execução, pois os criminosos seguiram o policial, se aproximaram sem anunciar assalto e atiraram à queima-roupa, sem dar chance de reação. Nada foi levado da vítima. Ronickson estava de folga, à paisana e desarmado, segundo o governador.
Monitoramento prévio
Outra câmera de segurança registrou os suspeitos momentos antes do atentado, nas proximidades de uma academia onde Ronickson estava. Nas imagens, um homem aparece em uma motocicleta vermelha e aguarda a chegada de um carro branco. Depois, ele entra no veículo por alguns minutos. Na sequência, outro homem sai do carro usando capacete, sobe na moto e ambos seguem em direção à Avenida Goiás. Segundo a investigação, essa dinâmica indica possível monitoramento prévio da vítima.
Rota de fuga e apoio logístico
As imagens do sistema Smart Sampa permitiram acompanhar o deslocamento dos criminosos até a comunidade de Heliópolis, na Zona Sul da capital, onde a motocicleta usada no crime foi abandonada. Depois disso, os suspeitos teriam fugido a pé. A análise das imagens identificou um carro que levou um dos suspeitos até o ponto onde ele embarcou na motocicleta usada no atentado. Outros carros também teriam acompanhado a ação. Dois automóveis apreendidos com os investigados passarão por perícia.
Suspeitos presos
Dois homens, de 40 e 52 anos, foram presos temporariamente no domingo (28). Eles foram localizados pela Polícia Militar em Guaianases, na Zona Leste da capital, e levados ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Na segunda-feira (29), passaram por audiência de custódia e permaneceram detidos. Segundo a investigação, eles não são apontados como os autores dos tiros, mas sim como responsáveis por dar apoio logístico aos executores. Um dos detidos confessou participação no crime, segundo a Polícia Militar.
Outros envolvidos e foragidos
Um terceiro homem, de 24 anos, compareceu ao DHPP acompanhando um dos detidos. Ele não foi preso, mas foi considerado importante para a identificação de outros envolvidos. Os dois homens que efetuaram os disparos seguem foragidos. A investigação ainda tenta esclarecer a motivação do atentado, quem planejou a ação, se houve participação do crime organizado e quantas pessoas participaram da execução. A Secretaria da Segurança Pública afirma que as investigações seguem em andamento. A Polícia Militar informou que continuará as diligências até a identificação e prisão de todos os envolvidos.
Ivan Garcia, chefe de comunicação da Polícia Militar, afirmou: "Como foi comentado pelo governador, é uma indignação, a polícia já se posicionou desde o primeiro momento indignada com esse tipo de atitude. Não é uma mera agressão a um policial, é uma agressão ao estado. Toda a instituição está ao lado dele para melhorar e acompanhando estamos inclusive lá no hospital fazendo acompanhamento com a família."



