O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) registrou um aumento de 57,69% nos atendimentos a vítimas de sinistros envolvendo motocicletas no Grande Recife entre 2022 e 2025. Só no ano passado, o Samu contabilizou 11.231 ocorrências, incluindo atropelamentos. Na capital pernambucana, o pico foi em dezembro de 2024, com 600 feridos e uma média de 20 atendimentos diários.
Impacto no atendimento do Samu
Segundo o coordenador geral do Samu Metropolitano, Leonardo Gomes, o crescimento dos sinistros tem sobrecarregado o serviço. "Antigamente, nós atendíamos uma pessoa guiando uma motocicleta. Hoje, nós temos duas pessoas ou às vezes até uma terceira, se for um atropelamento. Então, isso ocupa mais equipes do Samu ao mesmo tempo. Uma ambulância que conseguia atender uma vítima. Hoje são necessárias duas ou até três ambulâncias", afirmou.
Gomes destacou que os acidentes de trânsito afetam outros atendimentos de urgência. Como os chamados são priorizados por gravidade, pacientes com traumas graves, como fraturas expostas ou traumatismos cranianos, passam na frente de casos clínicos menos urgentes. "O Samu não atende só a sinistros, então as outras causas, as causas clínicas, como as doenças e o envelhecimento, vão acontecer. Esses atendimentos podem ter menor gravidade naquele momento inicial, quando você compara com alguém com a fratura exposta do sinistro de motocicleta", explicou.
Relato de motociclista
O motociclista de aplicativo Wellington da Silva envolveu-se em um sinistro na Avenida Caxangá, Zona Oeste do Recife, há cerca de um ano e oito meses, ao tentar ultrapassar pela direita – manobra arriscada e considerada infração de trânsito. "Fui passar pela direita e o cidadão me fechou. Eu peguei e sobrei na pista e tive umas escoriações na pele. Eu fui socorrido nesse dia pelos próprios parceiros do aplicativo que me ajudaram", relatou. Ele reconhece que condutores de moto também cometem erros: "O pessoal não respeita moto, mas eu sei que a gente tem horas que também dá os vacilos da gente, mas é porque a gente já ganha por meta, por corrida".
Fator humano e prevenção
Para reduzir os sinistros, especialistas apontam mudanças no comportamento dos condutores. O especialista em segurança viária Rodrigo Aguiar dos Santos atribui o aumento ao crescimento do uso de motocicletas em aplicativos de transporte e entrega. "Temos hoje entrega de mercadorias, entrega de alimentos, inclusive, a circulação com pessoas, com passageiros, que é um grande perigo", afirmou.
Segundo Santos, cerca de 90% dos sinistros têm relação com o fator humano. "Esse fator humano é considerado 90% dos casos dos sinistros. Então, a conscientização para quem vai dirigir, para quem vai pegar a moto, é justamente você evitar o excesso de velocidade, o uso de bebida alcoólica, que são grandes fatores que contribuem para o aumento de sinistro. Além disso, tem o fator da via, os buracos na pista, a pista escorregadia... A junção de todos esses fatores acaba ocorrendo um sinistro que pode ser fatal", disse.



