Mais de 6 mil litros de combustível transportados sem documentação fiscal foram apreendidos pela Polícia Civil na sexta-feira (17), em Conquista D'Oeste, a 571 km de Cuiabá. Um caminhão também foi apreendido e o motorista, de 43 anos, foi preso em flagrante por crime ambiental. A carga, segundo a polícia, seria levada para um garimpo ilegal na Terra Indígena Sararé.
Operação Protetor das Divisas e Fronteiras
A apreensão ocorreu durante a Operação Protetor das Divisas e Fronteiras, realizada para combater atividades ilegais e retirar invasores da Terra Indígena Sararé. Segundo a Polícia Civil, os policiais identificaram uma intensa movimentação de máquinas, combustíveis e outros insumos destinados ao abastecimento de garimpos ilegais na região. Por isso, montaram uma barreira em uma estrada de acesso aos garimpos, na zona rural de Conquista D'Oeste.
Durante a fiscalização, a equipe abordou um caminhão e encontrou seis contêineres de óleo diesel, dois tambores de gasolina e uma grande quantidade de alimentos na carroceria. O motorista informou aos policiais que havia sido contratado para transportar a carga até um garimpo. No entanto, ele não apresentou as notas fiscais nem a licença obrigatória para o transporte dos combustíveis.
Motorista preso e carga apreendida
O caminhão e toda a carga foram apreendidos, e o motorista foi encaminhado à Delegacia de Polícia de Pontes e Lacerda. Após ser ouvido, ele foi autuado em flagrante por transportar substância perigosa em desacordo com a legislação, na modalidade culposa. O caso segue em investigação.
Histórico de exploração na Terra Indígena Sararé
A Terra Indígena Sararé abriga 201 indígenas do povo Nambikwara, distribuídos em sete aldeias. O território possui cerca de 67 mil hectares, dos quais 4,2 mil hectares foram impactados pelo garimpo ilegal. Homologada em 1985, a área enfrenta, nos últimos anos, conflitos relacionados à exploração clandestina de ouro. Segundo o governo federal, a operação de desintrusão busca garantir a segurança dos indígenas, proteger o território e conter o avanço da atividade ilegal.
Segundo a Opan, das 74 áreas registradas na base geográfica da Funai, 69 possuem processos minerários em seu entorno imediato, considerando um raio de até 10 quilômetros. De acordo com o levantamento, o número de processos minerários em Mato Grosso saltou de 5.926, em 2018, para 13.627, em 2025, um crescimento de quase 130%. Ao todo, esses processos abrangem cerca de 22.539.135,89 hectares. Considerando que o estado possui aproximadamente 90.320.699 hectares (903.207 km²), a área já sob incidência minerária corresponde a 24,9% do território, uma extensão comparável à área do Reino Unido.
Violência e presença de facções
Além dos danos ambientais, o levantamento registra o aumento da violência na região, com a presença de facções criminosas e relatos de tiros, ameaças de morte e ataques a aldeias. Segundo o boletim, o cenário expõe a comunidade a risco de danos irreparáveis, caracterizando uma violência estrutural e sistemática.
Pressão no entorno de Terras Indígenas
A Terra Indígena Sararé ocupa a quarta posição entre as TIs com maior número de requerimentos minerários próximos, somando 72 processos ativos. O principal minério de interesse nessas solicitações é o ouro, presente em 58 processos, que, juntos, abrangem cerca de 143.383,9 hectares. Em primeiro lugar está a Terra Indígena Vale do Guaporé, que concentra a maior área sob influência de processos minerários em seu entorno, com aproximadamente 237.061,77 hectares. Na sequência aparece a Terra Indígena Escondido, com 195.355,32 hectares, seguida pela Terra Indígena Piripkura, de povos indígenas isolados, com 157.620,48 hectares.



