Grupo induzia adolescentes ao suicídio em lives no Discord
Adolescentes induziam outros ao suicídio em lives

Uma operação policial cumprida nesta terça-feira (4) resultou na apreensão de cinco adolescentes, de 13 a 17 anos, e na detenção de um homem de 18 anos, suspeitos de induzir uma menina de 13 anos ao suicídio em Mato Grosso do Sul. As investigações revelaram que o grupo, que atuava na plataforma Discord, tinha outras vítimas e promovia transmissões ao vivo com incentivo à automutilação, violência contra animais e outros crimes.

Outras vítimas e liderança do grupo

O suspeito de liderar o grupo é um adolescente de 14 anos, apreendido no Rio de Janeiro. Durante as investigações, a Polícia Civil descobriu que, na mesma transmissão ao vivo que vitimou a menina de Naviraí, outra adolescente foi induzida a se automutilar e a tirar a própria vida. Segundo a polícia, ela abandonou a transmissão antes de consumar o ato.

A vítima de Mato Grosso do Sul tirou a própria vida na casa onde morava com a família, e a ação foi transmitida em tempo real na rede social. O caso chocou a comunidade local e mobilizou as autoridades.

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Investigação e crimes apurados

Além da indução ao suicídio, a Polícia Civil apura a prática de maus-tratos a animais, produção e compartilhamento de conteúdos violentos e a atuação do grupo em comunidades virtuais voltadas a práticas criminosas. Os investigados atraíam crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade por meio de plataformas digitais para propor desafios violentos.

Durante a operação, foram apreendidos computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos que passarão por perícia. A análise dos dispositivos deve ajudar a identificar outros integrantes do grupo, esclarecer a dinâmica da organização e verificar se há novas vítimas. Os suspeitos são investigados por homicídio qualificado e organização criminosa.

Mandados cumpridos em cinco estados

Os mandados judiciais foram cumpridos no Ceará, em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará e Rio de Janeiro. A operação contou com a participação de equipes das polícias civis desses estados, sob coordenação da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

O caso segue em segredo de Justiça, e a polícia não descarta novas fases da operação à medida que as provas forem analisadas. A suspeita é de que o grupo atuava de forma organizada, com hierarquia e divisão de tarefas.

Como buscar ajuda

Para quem precisa de apoio emocional, o acolhimento inicial pode ser feito através do número 188, do Centro de Valorização da Vida (CVV), válido em todo território nacional e gratuito. Além disso, o site Mapa da Saúde Mental pode ser utilizado para encontrar um serviço mais próximo, trazendo informações sobre acolhimentos gratuitos ou de baixo custo.

O Sistema Único de Saúde (SUS) promove a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que fazem o acolhimento para quem precisar sem necessidade de agendamento. Os serviços de atenção básica, conhecidos como postinhos de saúde, também podem realizar consultas com enfermeiras, promovendo um acolhimento inicial no momento de sofrimento.

Há ainda instituições sem fins lucrativos que oferecem apoio e informação, como o Centro de Valorização da Vida, a Associação Brasileira dos Sobreviventes Enlutados por Suicídio, o Instituto Vita Alere, a Rede Pode Falar (para jovens de 13 a 24 anos) e o Instituto Bia Dote.

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