Uma megaoperação no Laos resultou na prisão de 122 pessoas, entre elas 26 brasileiros, suspeitos de integrar uma rede de golpes virtuais. A ação, realizada como parte de uma iniciativa nacional de combate ao cibercrime, também levantou suspeitas de tráfico humano, conforme denúncia da ONG The Exodus Brasil. O Itamaraty acompanha o caso e alerta sobre falsas ofertas de emprego no Sudeste Asiático, região que se consolidou como um dos principais destinos de estrangeiros aliciados para atuar em 'fábricas de golpes'.
Detalhes da operação e prisões
A polícia do Laos realizou a operação em 23 de julho de 2026, prendendo 122 pessoas em diferentes pontos do país. Entre os detidos, 26 são brasileiros, conforme confirmou o Itamaraty. As autoridades locais suspeitam que os presos façam parte de uma organização criminosa especializada em golpes virtuais, que lesaram vítimas em diversos países. A operação foi deflagrada após meses de investigação, que contou com a cooperação de forças de segurança de outras nações.
Envolvimento de tráfico humano
A ONG The Exodus Brasil, que atua no resgate de vítimas de tráfico humano, afirmou que a rede criminosa também é suspeita de aliciar estrangeiros com falsas promessas de emprego. 'Muitas vítimas são atraídas com ofertas de trabalho em áreas como tecnologia e atendimento ao cliente, mas ao chegar ao Laos têm seus passaportes retidos e são forçadas a aplicar golpes', disse um representante da ONG. A entidade estima que centenas de brasileiros já tenham sido vítimas desse esquema nos últimos anos.
Alerta do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil emitiu um alerta sobre os riscos de aceitar ofertas de emprego no Sudeste Asiático sem verificar a idoneidade das empresas. 'Recomendamos que os cidadãos brasileiros desconfiem de propostas muito vantajosas e que sempre consultem os canais oficiais do Itamaraty antes de viajar', informou a pasta. O órgão está prestando assistência consular aos brasileiros presos no Laos.
Crescimento das 'fábricas de golpes' no Sudeste Asiático
O Sudeste Asiático, especialmente países como Laos, Camboja e Mianmar, tornou-se um polo para 'fábricas de golpes' virtuais. Criminosos aliciam estrangeiros com promessas de altos salários e condições de trabalho atrativas, mas as vítimas acabam sendo exploradas e forçadas a cometer fraudes online. A região é considerada um dos principais destinos para esse tipo de crime organizado, que movimenta bilhões de dólares anualmente.



