13 presos em operação contra golpes milionários com criptomoedas no Recife
13 presos em operação contra golpes milionários no Recife

Uma operação da Polícia Civil de Pernambuco resultou na prisão em flagrante de 13 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que aplicava golpes milionários envolvendo investimentos financeiros, criptomoedas e apostas. O esquema era operado por meio de uma empresa de fachada instalada em um edifício empresarial na Avenida Agamenon Magalhães, no centro do Recife.

Estrutura sofisticada e metas de lucro

De acordo com a delegada Viviane Santa Cruz, da Delegacia de Polícia de Repressão ao Estelionato (DPRE), a quadrilha atuava de forma "sofisticada", oferecendo serviços de consultoria financeira. O escritório possuía isolamento acústico e estrutura semelhante a um call center, com quadros de metas para captação de valores por fraudes. A meta mensal de lucro ilícito girava em torno de R$ 800 mil.

Operação Mirage e funcionamento do golpe

As prisões ocorreram durante a Operação Mirage, deflagrada em 15 de julho. Em entrevista coletiva no dia 21, a delegada explicou que a organização montou um sistema similar às plataformas originais de operações no mercado financeiro. As vítimas tinham acesso a um aplicativo próprio, que simulava lucros e permitia saques, mas na verdade os valores sacados eram do próprio dinheiro investido. Uma única vítima teve prejuízo estimado em R$ 1,5 milhão.

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"Normalmente, eram pessoas que queriam fazer investimentos, procuravam por meio do sistema do Facebook. E quando elas eram encaminhadas, através de um processo de engenharia social, eram convencidas a aplicar e fazer esses investimentos financeiros. [...] Eles tinham um aplicativo próprio e essa empresa não tinha um CNPJ. Ela era construída como se fosse um site próprio, toda uma ferramenta própria, e dava toda uma aparência de ser uma empresa legalizada. Mas na verdade ela não tinha um CNPJ, se você observasse com detalhes", afirmou a delegada.

Vítimas em todo o Brasil e mudança de identidade

A falsa empresa, embora funcionasse em Pernambuco, tinha vítimas de todo o país. A delegada destacou que a organização mudava o nome da empresa assim que era identificada, derrubando a página e criando uma nova, renovando a prática dos golpes. "No Brasil todo, tem vítimas que a gente já identificou através de registros de boletim de ocorrência", disse.

Investigações e planos de expansão internacional

As investigações começaram em maio de 2024, após uma vítima procurar a polícia. Descobriu-se que o site não era sediado no Brasil e que a quadrilha simulava o ambiente do mercado financeiro. O local não tinha identificação externa. Foram apreendidos aproximadamente 50 vestígios digitais, que passarão por perícia para identificar outras vítimas, possíveis integrantes e ramificações do esquema em outros estados e no exterior.

A polícia encontrou passaportes, passagens aéreas, reservas de hospedagem e programação de viagem no estabelecimento, indicando que o grupo planejava transferir sua base operacional para o México.

Prisões e medidas judiciais

A operação cumpriu sete mandados de busca e apreensão domiciliar. Segundo a Polícia Civil, os investigados foram encontrados em plena atividade criminosa. Todos os suspeitos presos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça após audiência de custódia.

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