O médico ginecologista e obstetra Willian Teruo, especialista em reprodução assistida, concedeu entrevista ao Pulse Brand para falar sobre a relação entre endometriose, dor crônica e infertilidade. Segundo ele, a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no Brasil, mas o diagnóstico costuma ser tardio, comprometendo a qualidade de vida e as chances de engravidar.
O impacto da endometriose na fertilidade
Teruo explicou que a endometriose pode causar aderências pélvicas, obstrução tubária e comprometimento da reserva ovariana. “A doença inflamatória crônica interfere na ovulação, na captação do óvulo pela trompa e até na implantação embrionária”, detalhou. O médico ressaltou que, mesmo em casos leves, a endometriose pode reduzir as taxas de fertilidade natural.
Dor como principal sintoma
O especialista destacou que a dor pélvica crônica é o sintoma mais comum, mas muitas mulheres normalizam o desconforto menstrual. “Dores incapacitantes durante a menstruação, dor durante a relação sexual e ao evacuar são sinais de alerta”, afirmou. Ele reforçou que o diagnóstico precoce, por meio de exames de imagem como ultrassom com preparo intestinal e ressonância magnética, é essencial para evitar a progressão da doença.
Tratamento multidisciplinar
Willian Teruo defendeu uma abordagem integrada, combinando medicamentos, cirurgia minimamente invasiva e técnicas de reprodução assistida. “A videolaparoscopia permite remover focos de endometriose e melhorar a anatomia pélvica, mas nem sempre é curativa. A fertilização in vitro (FIV) pode ser indicada quando há comprometimento tubário ou falha de tratamento clínico”, explicou.
Mudanças no estilo de vida
O médico também mencionou a importância da alimentação anti-inflamatória, da prática de exercícios e do controle do estresse como coadjuvantes no tratamento. “A endometriose é uma doença crônica, mas com acompanhamento adequado é possível controlar os sintomas e preservar a fertilidade”, concluiu.



