Um estudo apresentado pela Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE) estima que os níveis de testosterona em homens caíram 54% nos últimos 50 anos. A pesquisa, que analisou amostras de quase 120 mil homens em diversos países, constatou um declínio acentuado desde o ano 2000, levantando alertas para uma crise na saúde reprodutiva masculina.
O que diz o estudo
O trabalho, liderado por pesquisadores da Universidade de Copenhague, avaliou dados de 118.720 homens de 12 países, incluindo Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Itália e Estados Unidos. As amostras foram coletadas entre 1970 e 2020. A análise mostrou que a concentração média de testosterona total caiu de 600 ng/dL na década de 1970 para cerca de 276 ng/dL em 2020, uma redução de 54%. O declínio foi mais acelerado a partir de 2000, com uma queda anual de aproximadamente 1,5%.
Impactos na saúde
Segundo os autores, a queda nos níveis de testosterona está associada a diversos problemas de saúde, como redução da fertilidade, perda de massa muscular, aumento de gordura corporal, fadiga, depressão e maior risco de doenças cardiovasculares. O Dr. Anders Juul, principal autor do estudo, afirmou: “Esses números são alarmantes e indicam que fatores ambientais e de estilo de vida estão afetando a saúde hormonal masculina de forma significativa”.
Possíveis causas
Os pesquisadores apontam que o aumento da obesidade e do diabetes tipo 2, o sedentarismo e a exposição a substâncias químicas desreguladoras endócrinas (como ftalatos e bisfenol A) podem estar por trás do declínio. No entanto, o estudo não estabelece causalidade direta. A Dra. Anna-Maria Andersson, coautora, destacou: “É urgente investigar mais a fundo esses fatores para desenvolver estratégias de prevenção”.
Controvérsias e recomendações
Especialistas alertam que a reposição hormonal com testosterona não deve ser feita sem acompanhamento médico, pois pode trazer riscos como aumento da próstata e problemas cardiovasculares. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia recomenda que homens com sintomas de baixa testosterona procurem um especialista para avaliação individualizada.
Contexto global
O estudo reforça tendências observadas em pesquisas anteriores, como uma meta-análise de 2017 que já indicava declínio nos níveis de testosterona ao longo do tempo. A ESHRE planeja ampliar a coleta de dados para incluir países da América Latina e Ásia, a fim de entender melhor as variações regionais.



