SUS amplia teleatendimento para vício em bets em 16.000%
SUS amplia teleatendimento para vício em bets

O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou um aumento de 16.000% nos teleatendimentos destinados a pessoas com dependência de apostas esportivas (bets), segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. Em 2025, foram realizados mais de 8.000 atendimentos, contra apenas 50 no ano anterior, revelando uma explosão na procura por ajuda para o transtorno do jogo.

Crescimento expressivo e impacto na saúde pública

O número de teleatendimentos para vício em bets saltou de 50 em 2024 para 8.050 em 2025, um crescimento de 16.000%. Esse aumento reflete a expansão das apostas online no Brasil, que se tornaram uma preocupação crescente para as autoridades de saúde. O Ministério da Saúde atribui o fenômeno à popularização das plataformas de apostas e à maior conscientização sobre os riscos à saúde mental.

“Esse crescimento demonstra a necessidade de ampliar os serviços de apoio e tratamento para pessoas que desenvolvem dependência de apostas”, afirmou a coordenadora de Saúde Mental do Ministério da Saúde, Maria Aparecida Silva, em entrevista coletiva. Ela destacou que o teleatendimento tem sido uma ferramenta crucial para alcançar pessoas em todo o país, especialmente em regiões com menos acesso a serviços especializados.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Como funciona o teleatendimento do SUS

O serviço de teleatendimento para dependência de apostas é oferecido por meio do canal 136, que funciona 24 horas por dia, sete dias por semana. Os pacientes são atendidos por psicólogos e psiquiatras treinados, que oferecem orientação, suporte emocional e encaminhamento para tratamento presencial, quando necessário. O serviço é gratuito e confidencial, incentivando mais pessoas a buscar ajuda.

Além do teleatendimento, o SUS vem ampliando a rede de atenção psicossocial (RAPS) para incluir o tratamento de transtornos relacionados ao jogo. Unidades de saúde em diversos estados já oferecem grupos de apoio e terapias cognitivo-comportamentais, que têm se mostrado eficazes no tratamento da dependência.

Perfil dos pacientes e fatores de risco

De acordo com o Ministério da Saúde, a maioria dos pacientes que buscam ajuda são homens jovens, entre 20 e 35 anos, com histórico de outras dependências, como álcool e tabaco. O fácil acesso às apostas por meio de smartphones e a publicidade agressiva das casas de apostas são apontados como fatores que contribuem para o desenvolvimento do vício.

Especialistas alertam que o vício em apostas pode levar a sérios problemas financeiros, familiares e de saúde, incluindo ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas. A expansão dos serviços de teleatendimento é vista como uma resposta necessária a essa crise emergente de saúde pública.

Próximos passos e investimentos

O Ministério da Saúde planeja investir R$ 20 milhões na ampliação do programa de teleatendimento para dependência de apostas, com previsão de alcançar 50.000 atendimentos até o final de 2026. A meta é capacitar mais profissionais e criar uma rede de apoio integrada com estados e municípios.

“Estamos comprometidos em oferecer suporte adequado a todos que precisam. O teleatendimento é apenas o primeiro passo; queremos garantir que todos tenham acesso a tratamento de qualidade”, completou a coordenadora Maria Aparecida Silva. A iniciativa também inclui campanhas de conscientização sobre os riscos das apostas e a promoção de hábitos saudáveis.

Os dados divulgados reforçam a importância de políticas públicas voltadas à saúde mental e ao combate ao vício em jogos de azar, um problema que afeta milhares de brasileiros e que exige atenção contínua das autoridades.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar