Sono excessivo em idosos aumenta risco de perda de mobilidade
Sono excessivo eleva risco de perda de mobilidade em idosos

Homens idosos que dormem mais de nove horas por dia apresentam maior risco de perder mobilidade, de acordo com um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da University College London, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). A pesquisa, que acompanhou cerca de 3 mil pessoas por oito anos, associou o sono prolongado e fragmentado à lentidão da marcha e à perda de independência funcional.

Relação entre sono prolongado e mobilidade reduzida

O estudo identificou que idosos que dormem mais de nove horas por noite têm maior probabilidade de desenvolver dificuldades de locomoção. A lentidão da marcha, um dos principais indicadores de perda de mobilidade, foi significativamente mais comum nesse grupo. Segundo os pesquisadores, o sono excessivo pode comprometer a liberação de testosterona, hormônio essencial para a manutenção da massa muscular e da força.

“O sono prolongado e fragmentado interfere na produção de testosterona, o que acelera a perda muscular e, consequentemente, a capacidade de se movimentar”, explicou um dos autores do estudo, em comunicado à imprensa.

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Impactos na independência e qualidade de vida

A perda de mobilidade está diretamente ligada à redução da independência em idosos. Dificuldades para caminhar, subir escadas ou realizar tarefas cotidianas podem levar a um declínio funcional acelerado. O estudo reforça a importância de monitorar a duração e a qualidade do sono na terceira idade, especialmente em homens, que apresentaram maior vulnerabilidade.

Os pesquisadores destacam que a fragmentação do sono, com despertares frequentes durante a noite, também contribui para o problema. “Não é apenas a quantidade de sono, mas a sua continuidade que importa. Noites mal dormidas, mesmo que longas, podem ter efeitos negativos semelhantes”, afirmou a equipe.

Recomendações e próximos passos

Com base nos resultados, os cientistas recomendam que idosos e seus cuidadores estejam atentos aos padrões de sono. Dormir entre sete e oito horas por noite, de forma contínua, parece ser o ideal para preservar a mobilidade. Intervenções para melhorar a higiene do sono, como evitar cafeína à noite e manter horários regulares, podem ser benéficas.

O estudo, publicado em periódico científico, abre caminho para novas pesquisas sobre a relação entre sono e envelhecimento saudável. A FAPESP continua apoiando investigações que buscam entender como fatores modificáveis, como o sono, podem prevenir a perda de funcionalidade em idosos.

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