A tarefa de cuidar de crianças e idosos tem se tornado um desafio crescente para muitos adultos, especialmente para as mulheres, que frequentemente acumulam essas responsabilidades. O psiquiatra Arthur Guerra, professor titular de Psiquiatria na Faculdade de Medicina do ABC e professor associado na Faculdade de Medicina da USP, aborda em sua coluna a sobrecarga enfrentada pela chamada "geração sanduíche" — aqueles que cuidam simultaneamente de pais idosos e filhos.
O peso do cuidado contínuo
Com o envelhecimento populacional e o aumento da expectativa de vida, o cuidado tornou-se uma tarefa contínua e desgastante. Muitos adultos se veem na posição de precisar oferecer suporte a seus pais, que vivem mais, ao mesmo tempo em que criam seus próprios filhos. Essa dupla jornada pode gerar estresse, ansiedade e esgotamento físico e emocional.
Divisão coletiva como solução
Guerra defende que a responsabilidade do cuidado não deve recair apenas sobre um indivíduo, mas ser dividida coletivamente entre familiares, comunidade e Estado. Ele ressalta a importância de políticas públicas que ofereçam suporte aos cuidadores, como serviços de assistência domiciliar, centros-dia para idosos e creches acessíveis. Além disso, destaca a necessidade de que as famílias conversem abertamente sobre a distribuição de tarefas, evitando que uma única pessoa fique sobrecarregada.
Impacto na saúde mental
A sobrecarga do cuidado pode levar a problemas de saúde mental, como depressão e burnout. O especialista alerta que os cuidadores muitas vezes negligenciam o próprio bem-estar para atender às necessidades dos outros. Ele recomenda que esses indivíduos busquem apoio psicológico, estabeleçam limites e reservem tempo para si mesmos, mesmo que em pequenas doses.
Políticas públicas necessárias
Para aliviar a pressão sobre a geração sanduíche, Guerra sugere a implementação de políticas que promovam o equilíbrio entre trabalho e cuidado, como licenças parentais mais flexíveis e horários de trabalho adaptáveis. Também defende investimentos em infraestrutura de cuidado, como creches e instituições de longa permanência para idosos, além de programas de capacitação para cuidadores informais.
Em suma, o cuidado de crianças e idosos é uma responsabilidade coletiva que exige ações coordenadas entre famílias, comunidades e governos. A divisão justa dessas tarefas não apenas reduz a sobrecarga individual, mas também promove o bem-estar de todos os envolvidos.



