O estado de São Paulo enfrenta um surto ativo de sarampo, com 15 casos confirmados em 2026, segundo o Ministério da Saúde. A paciente mais recente é uma menina de 1 a 2 anos, moradora de Guarulhos, sem histórico vacinal. Esse é o primeiro caso registrado na cidade desde 2020. As infecções se concentram na capital (12), São Bernardo do Campo (2) e Guarulhos (1).
Ampliação emergencial da vacinação
Diante do cenário, o Ministério da Saúde recomendou que São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo ampliem a oferta da vacina contra o sarampo para toda a população de 6 meses a 59 anos, independentemente da situação vacinal. A medida integra a Campanha de Multivacinação da Secretaria Estadual da Saúde, que inicia na próxima segunda-feira (3). Além da tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola), estarão disponíveis todas as vacinas do Calendário Nacional para crianças e adolescentes.
Tatiana Lang, diretora do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), destacou a urgência: “A campanha reforça a importância de manter a vacinação em dia, especialmente entre crianças e adolescentes. Ampliar a cobertura da vacina contra o sarampo é fundamental para interromper a circulação do vírus e proteger a população”.
Cobertura vacinal abaixo da meta
A cobertura da primeira dose da tríplice viral no estado é de 77,5% em 2026, enquanto a segunda dose atinge 65,5%. A meta do Ministério da Saúde é de 95% para ambas. Em 2025, os índices eram mais altos: 94% para a primeira dose e 84,4% para a segunda. A queda acende o alerta para a reintrodução do vírus.
Distribuição e origem dos casos
Dos 15 casos, 12 foram registrados na capital paulista. Dois são importados: um de pessoa que esteve na Bolívia e outro de viajante vindo da Guatemala. Os demais foram transmitidos localmente, com maior concentração na Zona Norte (Vila Medeiros, 6 casos; Vila Maria, 2) e dois na Zona Sul (Capão Redondo e Jabaquara). Em São Bernardo do Campo, os dois pacientes se infectaram após contato com casos da capital. Lang explicou: “As pessoas que pegaram o vírus do sarampo e residem em São Bernardo pegaram aqui em São Paulo porque são contatos de um dos casos. Isso não quer dizer que elas pegaram o vírus dentro do próprio município”. O grupo infectado inclui bebês de até 2 anos e adultos de 20 a 50 anos.
São Paulo é o único estado com surto ativo
De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é o único estado brasileiro com casos confirmados de sarampo, configurando surto ativo — quando há casos interligados formando cadeia de transmissão. Lang afirmou que a origem da cadeia ainda é desconhecida: “Estamos considerando esses casos como relacionados à importação por conta do sequenciamento viral. Precisamos passar algumas semanas sem novos casos para dizer que conseguimos interromper todas as cadeias”. O Brasil recebeu o certificado de eliminação do sarampo da Opas em 2016, perdeu em 2019 (com cerca de 18 mil casos) e o recuperou em 2024. O aumento atual volta a acender o alerta para a importância da vacinação.



