Cozinheira do Acre retira bócio mergulhante raro de 15 cm após 3 anos
Retirada de bócio raro de 15 cm no Acre após 3 anos

Por conta de um cansaço recorrente, a cozinheira Marilene Azevedo Ferreira, de 49 anos, foi diagnosticada com bócio mergulhante volumoso, condição rara que aumenta de forma anormal a glândula tireoide, causando expansão dentro do tórax. A descoberta ocorreu após ela sobreviver a um acidente de trânsito entre uma van e um caminhão, em julho de 2022, em Xapuri, interior do Acre. A retirada da estrutura em excesso aconteceu mais de três anos depois do acidente, quando Marilene conseguiu realizar a cirurgia considerada de alta complexidade na Fundação Hospitalar Governador Flaviano Melo (Fundhacre), na última terça-feira (2). A cozinheira recebeu alta nesta segunda-feira (8).

Diagnóstico após acidente

“Na época do acidente, fui para Rio Branco direto ao pronto-socorro. Fizeram um raio-X e os médicos viram uma massa no pulmão. Eles disseram que era uma massa, mas não sabiam o que era. Aí me encaminharam para o doutor Newton Torres e começaram as investigações”, relembrou Marilene. O bócio mergulhante (BM) é uma modificação rara da glândula tireoide, consistindo no aumento do tamanho, peso e volume da glândula, que invade a cavidade torácica total ou parcialmente. Em geral, é um quadro crônico, de evolução lenta e assintomático em até 65% dos casos.

Cirurgia complexa

O procedimento mobilizou duas equipes médicas especializadas. A cirurgia combinou uma tireoidectomia, que é a retirada total da tireoide, com uma abordagem torácica para acessar a parte da glândula que havia crescido para dentro do tórax. Marilene retornou a Xapuri e segue em recuperação. “Foi uma mobilização muito grande. Eu vi que tinha várias equipes médicas envolvidas. Agora é me recuperar. Vou continuar fazendo acompanhamento porque não tenho mais tireoide, mas estou muito feliz de estar curada e voltando para casa”, declarou.

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Conforme a cozinheira, a suspeita inicial era de que se tratava de um tumor pulmonar. Contudo, após uma série de exames e avaliações especializadas, os médicos concluíram que a estrutura observada era a própria tireoide, que havia crescido para dentro do tórax. Apesar de conviver com o cansaço, Marilene disse que nos últimos meses os sintomas se intensificaram, e ela passou a sentir uma sensação constante de pressão no peito. “Ultimamente o cansaço frequente dificultava atividades que exigiam esforço físico”, relatou.

Detalhes do procedimento

Ao g1, o cirurgião torácico Lukas Vieira, que já trabalhou no Instituto Nacional do Câncer (Inca), disse que a complexidade do caso exigiu planejamento detalhado e atuação conjunta das equipes de cirurgia torácica e de cabeça e pescoço. “Por estar descendo para dentro do mediastino [região entre os dois pulmões], a equipe de cabeça e pescoço retirou a parte superior da tireoide pelo pescoço. Depois, fizemos uma abertura no tórax para acessar a porção que estava completamente dentro da cavidade torácica”, explicou.

Segundo o médico, a lesão tinha 15 centímetros e estava localizada próxima à traqueia, comprimindo estruturas importantes da região. “Essa foi a maior complexidade da cirurgia. Tivemos que fazer duas incisões, uma cervical e outra torácica. Ao todo, foram cinco cirurgiões envolvidos no caso”, disse. O planejamento começou antes mesmo da cirurgia, com análise detalhada de exames de imagem para definir a melhor estratégia. “O maior desafio foi planejar o procedimento, pois não é uma cirurgia que fazemos com frequência. Ao todo, o processo chegou perto de oito horas”, acrescentou.

Sintomas e prevenção

Ainda conforme Lukas Vieira, o bócio mergulhante ocorre quando a tireoide cresce em direção ao interior do tórax, em vez de aumentar para fora do pescoço, como acontece na maioria dos casos. Os sintomas podem incluir: falta de ar, dificuldade para engolir, sensação de peso ou pressão no peito e alterações relacionadas ao funcionamento da tireoide, como cansaço excessivo ou irritabilidade. O especialista destaca que não existe uma forma específica de prevenir a condição, mas reforça a importância do diagnóstico precoce por meio de exames como a ultrassonografia. “A recomendação é procurar um especialista ao notar qualquer alteração na região do pescoço ou sintomas persistentes”, completou o médico.

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