Pose de meditação de lêmures tem explicação biológica; entenda
Pose de meditação de lêmures tem explicação biológica

Um vídeo de dois lêmures-de-cauda-anelada com os braços abertos e o peito voltado para o sol ultrapassou 600 mil visualizações no perfil do Zoológico de São Paulo nas redes sociais. A cena chamou a atenção por lembrar uma pose de meditação, mas a explicação é biológica: trata-se de uma estratégia para se aquecer nas manhãs frias.

Comportamento de aquecimento

Nativos de Madagascar, os lêmures aproveitam os primeiros raios solares para elevar rapidamente a temperatura corporal e economizar energia antes de iniciar as atividades diárias. Ao abrir os braços e expor o peito, onde a pelagem é menos densa, eles ampliam a área de incidência dos raios solares e absorvem calor com mais eficiência. Esse aquecimento acelera o metabolismo e favorece a busca por alimento, locomoção e interação social.

Explicação da bióloga

Segundo Mara Marques, bióloga do Zoológico de São Paulo, a cena é comum nas primeiras horas do dia. "Durante a noite, eles estão sempre juntos no grupinho, se aquecendo. Nos primeiros raios da manhã de sol, eles aproveitam a temperatura para se aquecer mais rapidamente. Então, eles tomam esse banho de sol, ficam como se fosse um transe para fazer com que tenha uma agilidade maior, ou seja, o seu metabolismo aumenta e as atividades começam logo em seguida durante o dia", afirma. Ela complementa: "Faz com que eles estejam mais espertos e consigam muito mais rapidamente buscar alimento, têm maior atividade que qualquer outro primata".

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Espécie e curiosidades

Os dois animais que aparecem nos vídeos chegaram ao Zoológico de São Paulo em outubro de 2025 e pertencem à espécie Lemur catta, reconhecida pela longa cauda com anéis pretos e brancos. O primata ganhou fama internacional por inspirar o personagem Rei Julien, da animação "Madagascar". Além da aparência marcante, os lêmures possuem um sofisticado sistema de comunicação: vivem em grupos sociais e utilizam mais de 15 tipos de vocalizações para manter a coesão do bando, demarcar território e alertar sobre ameaças.

A pose, embora transmita serenidade e lembre meditação, é na verdade uma estratégia evolutiva para enfrentar baixas temperaturas e regular a temperatura corporal.

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