Paciente celebra remissão total do câncer após terapia CAR-T Cell: 'Auge de 13 anos'
Paciente celebra remissão total do câncer após CAR-T Cell

O publicitário Paulo Peregrino, de 64 anos, um dos primeiros pacientes tratados com a terapia CAR-T Cell desenvolvida pela USP em parceria com o Hemocentro de Ribeirão Preto e o Instituto Butantan, ainda se emociona ao rever as imagens dos exames que comparam o antes e o depois do tratamento. Diagnosticado com linfoma não-Hodgkin em 2018, Paulo testou a terapia celular pela primeira vez em março de 2023. Em apenas 48 dias, os linfomas que estavam espalhados por todo o seu corpo desapareceram.

Resultados impressionantes

“Foi feito um scan logo que entrei no HC de São Paulo para a última fase, no dia 6 de março. Meu corpo estava todo tomado pelo linfoma, desde a cabeça até as pernas. Um mês depois, em abril, o petscan mostrou meu corpo completamente limpo. A remissão foi total, como se tivesse passado uma borracha”, relatou Paulo. Novos resultados do estudo, divulgados recentemente, indicam que aproximadamente 9 em cada 10 pacientes tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor após o tratamento.

Uma longa batalha

Paulo completa dois anos de remissão total da doença. No entanto, sua luta contra o câncer começou muito antes, em 2010, quando enfrentou outro tipo de câncer. Hoje, ele está curado. “Para mim, 2023 foi o auge de uma luta de 13 anos contra o câncer. Quando a enfermeira chegou no quarto com uma caixa térmica e tirou uma bolsa de sangue, perguntei: ‘Isso é o CAR-T Cell?’ Ela respondeu que sim. Perguntei quanto tempo levaria, e ela disse: ‘Uns 45 minutos’. Fico emocionado, porque em uma hora você resolve um problema de 13 anos. Esse é o segredo da ciência”, afirmou.

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Como funciona a terapia CAR-T Cell

A terapia CAR-T Cell envolve a retirada de glóbulos brancos, as células de defesa do organismo, por meio de coleta de sangue. Esses linfócitos são reprogramados geneticamente em laboratório para reconhecer e combater células cancerígenas, como a leucemia linfoide aguda de células B e o linfoma não-Hodgkin de células B. As células são manipuladas, expandidas e devolvidas à corrente sanguínea do paciente.

Avanços do estudo

Até o momento, 75 participantes foram incluídos no estudo clínico, dos quais 25 receberam a infusão do produto com células CAR-T. A pesquisa prevê o recrutamento de pelo menos 100 pacientes, com produção de células para 81 participantes e conclusão da fase I/II. Dados do Inca estimam 12.560 novos casos de linfoma não Hodgkin no Brasil por ano no triênio 2026-2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres.

História de superação

Paulo conta que estava praticamente desenganado quando surgiu a oportunidade do tratamento com CAR-T Cell. Entre 2018 e 2021, após o terceiro linfoma, ele já havia passado por 50 sessões de quimioterapia e um transplante de medula óssea, sem sucesso. “Não tinha mais opção. A opção que surgiu em 2022, quando a doença estava fora de controle, foi o CAR-T Cell”, lembrou. Ele se voluntariou para o estudo sem hesitar, na esperança de ajudar outras pessoas. “Participar de uma pesquisa clínica é fundamental para que outros possam se beneficiar no futuro. Fico orgulhoso de fazer parte. Ao compartilhar minha história, dou um pouco de esperança. Acredite na ciência e em Deus.”

Impacto da terapia

A terapia CAR-T Cell é uma das maiores inovações da oncologia mundial. Consiste em engenheirar o sistema imunológico, retirando células de defesa do sangue do paciente e modificando-as em laboratório para ganhar sensores capazes de identificar tumores específicos. Após a reprogramação, as células são reintroduzidas no organismo para atuar contra o câncer. A técnica oferece altas taxas de resposta em cânceres do sangue agressivos quando outras opções se esgotaram, sendo indicada para leucemia linfoide aguda, linfoma não Hodgkin e mieloma múltiplo.

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Estudos brasileiros indicam que o uso precoce da terapia CAR-T pode economizar recursos hospitalares, evitando internações e tratamentos para recidivas. Em 2019, o primeiro tratamento no Brasil foi realizado na USP de Ribeirão Preto, em um aposentado de 64 anos que ficou livre dos sintomas. Entre 2022 e 2024, a Anvisa aprovou terapias comerciais estrangeiras, mas o custo elevado (até R$ 4 milhões por dose) e a logística de envio de células para o exterior limitaram o acesso. Para nacionalizar a tecnologia, instituições como o Hemocentro de Ribeirão Preto, USP e Instituto Butantan uniram esforços. Com os testes clínicos, os pesquisadores alcançaram taxas de eficácia de até 87,5% em leucemia linfoide aguda B e linfoma não Hodgkin B. O próximo passo é o pedido de registro definitivo na Anvisa, abrindo caminho para oferecer a terapia pelo SUS.