A obesidade em cães é considerada por especialistas a principal doença nutricional entre pets. Segundo pesquisa da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (USP), de 40% a 40,5% dos animais domésticos no Brasil estão obesos ou acima do peso. Dados globais indicam que até 59,3% dos cachorros apresentam sobrepeso.
Fatores que contribuem para a obesidade canina
A obesidade canina é consequência de uma combinação de fatores relacionados ao estilo de vida dos animais e aos hábitos de seus tutores. Atualmente, os cães vivem mais tempo, permanecem grande parte do dia dentro de casa e apresentam níveis reduzidos de atividade física, explica a médica-veterinária Ivelize da Costa Mello, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Veterinária.
A doença reduz a expectativa de vida dos cães em cerca de dois anos. Pode levar a problemas respiratórios e ortopédicos, além de doenças metabólicas e hormonais.
Como identificar o sobrepeso e a obesidade
Um cachorro é considerado obeso quando está de 15% a 20% acima do seu peso ideal. Os médicos-veterinários conseguem avaliar mais precisamente usando a escala Escore de Condição Corporal, que é medida de um a nove pontos. O ideal é que o cão esteja entre quatro e cinco pontos na escala — com as costelas palpáveis, sem excesso de gordura e com a cintura visível quando visto de cima. O sobrepeso ocorre quando o animal fica com seis ou sete pontos (costelas difíceis de sentir e cintura levemente apagada). A obesidade é diagnosticada com oito ou nove pontos: as costelas são impossíveis de palpar — há casos em que ficam cobertas por grossas camadas de gordura, sem cintura marcada.
Cachorros com sobrepeso ou obesidade podem ter falta de vontade de brincar e passear ou cansaço excessivo após pequenos esforços. Dificuldade para subir escadas ou pular em móveis, menor tolerância ao exercício e sonolência também são sinais. Há ainda animais que demonstram irritabilidade ao serem manipulados devido ao desconforto causado pelo excesso de peso.
Alimentação balanceada e exercícios
O controle do peso dos cães deve ser feito através de alimentação balanceada, prática regular de exercícios e acompanhamento veterinário. O primeiro passo é oferecer uma alimentação adequada para o porte. Isso depende de fatores como peso, idade, nível de atividade física, condição corporal e o tipo de alimento (ração seca, úmida ou alimentação natural). Também é importante evitar o excesso de petiscos e alimentos destinados ao consumo humano, já que muitos são ricos em calorias.
Outro fator que aumenta as chances de o cão ficar obeso é a castração. Isso ocorre porque a retirada das gônadas (testículos ou ovários) reduz a produção de hormônios sexuais, o que diminui a taxa metabólica basal, fazendo com que o corpo do cachorro gaste menos calorias em repouso.
Relato de tutor: caso de pug com obesidade
Cão do personal trainer Roberto Stefani, de 47 anos, Buddy, de 14, é da raça pug e tem predisposição genética para a obesidade. O cachorro começou a ganhar peso por volta dos 2 anos, depois de ser submetido à castração. “Castrei por orientação médica para evitar tipos de câncer. Depois que castrei, ele ficou sedentário. Não gosta de andar, correr, caminhar, só de comer”, conta Roberto. Segundo o personal, o cachorro está pesando de 14 a 16 quilos — o ideal para essa raça é no máximo nove. “Ele tem muita dificuldade para respirar, principalmente no calor”, diz Roberto.



