Neurocirurgião morre aos 52 anos de melanoma; entenda os riscos
Neurocirurgião morre aos 52 anos de melanoma; entenda

O melanoma, tipo de câncer de pele que provocou metástase para o tronco cerebral e levou à morte do neurocirurgião Jacinto Lay, aos 52 anos, em São Paulo, é considerado o mais agressivo entre os tumores de pele devido à alta capacidade de se espalhar para outros órgãos. A informação é do dermatologista Thales Bastos, especialista em câncer de pele.

O que é o melanoma?

Embora represente apenas cerca de 4% de todos os casos de câncer de pele, o melanoma é responsável pela maior parte das mortes causadas pela doença. "O melanoma é o terceiro tipo mais comum de câncer de pele, mas é o mais grave porque tem chance de dar metástase precocemente, ou seja, de se espalhar para outros lugares, como cérebro, pulmão e fígado. Quando isso acontece, o prognóstico da doença muda completamente", explicou o médico.

Por que o melanoma é tão perigoso?

Segundo o especialista, diferentemente dos outros tipos mais frequentes de câncer de pele, que costumam permanecer restritos ao local onde surgem, o melanoma pode se disseminar mesmo quando a lesão inicial ainda é pequena. "Às vezes uma lesão pequena já pode se espalhar para outro lugar. Os outros cânceres de pele podem até formar tumores grandes, exigir cirurgias extensas, mas raramente dão metástase", afirmou.

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Como identificar um melanoma

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o melanoma nem sempre aparece em áreas constantemente expostas ao sol. Segundo Thales Bastos, ele é comum em regiões cobertas do corpo, como tronco e coxas, o que torna importante observar sinais em toda a pele. O especialista orienta atenção à chamada regra do ABCDE, usada para identificar pintas suspeitas:

  • A – Assimetria;
  • B – Bordas irregulares;
  • C – Cores diferentes na mesma lesão;
  • D – Diâmetro maior que 6 milímetros;
  • E – Evolução, quando a pinta cresce ou muda de aparência.

"Quando um sinal apresenta essas características, ele deve ser avaliado por um dermatologista. Examinamos a lesão com um dermatoscópio para decidir se é necessário removê-la e realizar uma biópsia", explicou. O médico ressaltou ainda que cerca de um terço dos melanomas surge a partir de pintas que a pessoa já possuía, reforçando a importância do acompanhamento dermatológico periódico.

Quem tem maior risco

Entre os principais fatores de risco estão: histórico familiar de melanoma; já ter tido melanoma anteriormente; pele clara; exposição intensa e prolongada ao sol ao longo da vida. A principal forma de prevenção continua sendo a proteção contra a radiação solar. "É importante evitar exposição ao sol entre 9h e 16h, usar protetor solar diariamente e reaplicá-lo a cada três ou quatro horas. Além disso, todas as pessoas deveriam fazer pelo menos uma avaliação anual dos sinais com um dermatologista", recomendou.

Como ocorre a metástase

Segundo o especialista, quando o melanoma cresce em profundidade na pele, aumenta o risco de que células cancerígenas alcancem a corrente sanguínea e se espalhem pelo organismo. Em geral, as primeiras metástases atingem os linfonodos próximos ao tumor. Depois, a doença pode alcançar órgãos como pulmão, fígado e cérebro. Quando o cérebro é afetado, podem surgir sintomas como:

  • dores de cabeça persistentes;
  • confusão mental;
  • perda de memória;
  • dificuldade para falar;
  • fraqueza em um lado do corpo;
  • alterações na visão;
  • perda de equilíbrio.

"Por isso o diagnóstico precoce é tão importante. Quando o melanoma ainda está restrito à pele, o tratamento costuma ser apenas cirúrgico. Já quando existe metástase, o paciente precisa de acompanhamento com um oncologista e pode necessitar de imunoterapia, terapias-alvo e outros medicamentos", explicou Thales Bastos. Segundo ele, os avanços desses tratamentos melhoraram a expectativa de vida de muitos pacientes, mas o prognóstico continua mais reservado quando a doença já se espalhou para outros órgãos.

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