A morte da renomada autora e diretora franco-iraniana Marjane Satrapi, aos 56 anos, trouxe à tona o debate sobre a possibilidade de morrer de tristeza. Conhecida mundialmente pela série de graphic novels Persépolis, que narra sua juventude durante e após a Revolução Iraniana, Satrapi faleceu pouco mais de um ano após a morte de seu marido, Mattias Ripa. A família divulgou que a causa teria sido a profunda tristeza pela perda do companheiro de 31 anos.
O que é a síndrome do coração partido?
A chamada síndrome do coração partido, formalmente conhecida como cardiomiopatia induzida por estresse ou cardiomiopatia de Takotsubo, é uma condição temporária em que o músculo cardíaco enfraquece repentinamente. De acordo com a British Heart Foundation, o ventrículo esquerdo do coração muda de forma, assumindo uma aparência semelhante a uma armadilha de polvo japonesa, que dá nome à condição. Esse estresse súbito pode ser desencadeado por um abalo emocional intenso, como o luto.
Estudos científicos sobre o luto
Uma pesquisa publicada em 2014 na revista JAMA Internal Medicine revelou que o risco de infarto ou AVC no mês seguinte à perda de um ente querido é o dobro em comparação com pessoas que não estão em luto. Entre 30.447 enlutados, 0,16% sofreram esses eventos, contra 0,08% no grupo sem luto. O professor Sunil Shah, da Universidade de Londres, afirmou à BBC: "Costumamos usar a expressão 'coração partido' para nos referir à dor de perder alguém amado. Nosso estudo mostra que o luto pode ter um efeito direto na saúde do coração."
Diferença entre infarto e cardiomiopatia de Takotsubo
Diferentemente do infarto, que ocorre por obstrução das artérias coronárias, a cardiomiopatia de Takotsubo geralmente não envolve bloqueios graves. A maioria dos pacientes se recupera quando o estresse passa, mas em pessoas idosas ou com problemas cardíacos preexistentes, a mudança no formato do coração pode ser fatal. Acredita-se que a liberação repentina de hormônios, como a adrenalina, cause o atordoamento do músculo cardíaco.
Risco aumentado após a morte do cônjuge
Estudos indicam que as chances de morte do parceiro sobrevivente aumentam nos seis meses seguintes à perda. Um casamento com apoio mútuo atua como proteção contra o estresse, mas a ausência do companheiro pode levar ao descuido com a saúde e ao agravamento de condições preexistentes. O caso de Satrapi, que declarou ter perdido "o amor da sua vida", ilustra como o luto pode impactar profundamente a saúde física.



