Menopausa induzida: alternativas à reposição hormonal em alta
Menopausa induzida: alternativas à reposição hormonal

O aumento da incidência de câncer de mama entre mulheres mais jovens tem reaberto o debate sobre a menopausa induzida e as alternativas à reposição hormonal. Quando a menopausa é provocada por tratamentos como quimioterapia, radioterapia ou cirurgia de retirada dos ovários, os sintomas costumam ser mais severos e abruptos do que na menopausa natural. No entanto, para muitas pacientes, a terapia de reposição hormonal (TRH) é contraindicada devido ao risco de recidiva do câncer.

O que é menopausa induzida?

A menopausa induzida ocorre quando os ovários param de funcionar precocemente devido a intervenções médicas. Diferente da menopausa natural, que acontece gradualmente, a induzida provoca uma queda brusca dos hormônios, resultando em sintomas intensos como ondas de calor severas, suores noturnos, insônia, alterações de humor, ressecamento vaginal e perda de libido. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia, cerca de 30% dos casos de câncer de mama ocorrem em mulheres com menos de 50 anos, muitas das quais submetidas a tratamentos que induzem a menopausa.

Por que a reposição hormonal é evitada?

A terapia hormonal é o tratamento padrão para aliviar os sintomas da menopausa, mas em mulheres com histórico de câncer de mama hormônio-dependente, o estrogênio pode estimular o crescimento tumoral. Por isso, oncologistas e ginecologistas recomendam evitar a TRH nesses casos. “Para pacientes com câncer de mama, a reposição hormonal é geralmente contraindicada, especialmente se o tumor for receptor hormonal positivo. Precisamos buscar alternativas seguras e eficazes”, explica a dra. Ana Paula Soares, oncologista do Hospital Sírio-Libanês.

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Alternativas não hormonais

Felizmente, existem diversas opções para controlar os sintomas sem usar hormônios. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) tem mostrado eficácia na redução de ondas de calor e insônia. Estudos indicam que a TCC pode diminuir a frequência e a intensidade das ondas de calor em até 50%. Além disso, medicamentos não hormonais, como antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina (ISRS) e gabapentina, são prescritos para aliviar os sintomas vasomotores.

Fitoterápicos e suplementos também ganham espaço. A isoflavona da soja, por exemplo, atua como um fitoestrógeno fraco e pode ajudar em casos leves. No entanto, a dra. Ana Paula alerta: “Suplementos à base de soja ou trevo-vermelho devem ser usados com cautela e sempre com orientação médica, pois não há consenso sobre sua segurança em pacientes oncológicos”.

Mudanças no estilo de vida

Adotar um estilo de vida saudável é fundamental. Praticar exercícios físicos regularmente, manter uma dieta rica em cálcio e vitamina D, evitar gatilhos como café e álcool, e usar roupas leves podem ajudar a controlar as ondas de calor. Técnicas de relaxamento, como yoga e meditação, também são recomendadas para reduzir o estresse e melhorar a qualidade do sono.

Para o ressecamento vaginal, hidratantes e lubrificantes à base de água são opções seguras. Em casos mais graves, o uso de estrogênio vaginal em baixas doses pode ser considerado, mas sempre após avaliação cuidadosa do risco-benefício com o oncologista.

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Perspectivas futuras

Com o aumento da incidência de câncer de mama em mulheres jovens, a demanda por tratamentos não hormonais para menopausa induzida deve crescer. A pesquisa clínica avança no desenvolvimento de novas terapias, como moduladores seletivos de receptores de estrogênio (SERMs) e inibidores de aromatase, que podem aliviar sintomas sem estimular o câncer. “O ideal é que cada paciente tenha um plano individualizado, discutido com uma equipe multidisciplinar”, conclui a dra. Ana Paula.