O Departamento de Justiça dos Estados Unidos acusa o médico Stephen Dubin de participar de um esquema de fraude que teria causado prejuízo de aproximadamente R$ 487 milhões ao programa de saúde norte-americano Medicare. A acusação envolve a aplicação desnecessária de substitutos de pele à base de placenta em pacientes idosos, com o objetivo de obter reembolsos indevidos.
Como funcionava o esquema
Segundo as autoridades, Dubin, que atuava em clínicas especializadas no tratamento de feridas, aplicava curativos biológicos caros — feitos de placenta humana — em beneficiários do Medicare, mesmo quando não havia indicação médica. Esses produtos são utilizados em casos de queimaduras graves ou feridas crônicas, mas teriam sido usados de forma generalizada e sem necessidade real.
A fraude consistia em registrar os procedimentos como se fossem cirurgias ou tratamentos complexos, elevando artificialmente os valores cobrados do programa federal. O médico teria lucrado com a diferença entre o custo real dos materiais e o valor reembolsado pelo governo.
Investigação e negação
A investigação foi conduzida pelo FBI e pela Inspetoria Geral do Departamento de Saúde, que identificaram padrões suspeitos de cobrança ao longo de vários anos. O caso ganhou destaque após uma reportagem do The New York Times, que teve acesso aos autos do processo.
Em nota, a defesa de Stephen Dubin negou todas as acusações, afirmando que os procedimentos eram legítimos e seguiam as normas médicas. O advogado do médico declarou que ele "sempre agiu no melhor interesse dos pacientes" e que confia na Justiça para provar sua inocência.
Impacto e consequências
Se condenado, Dubin pode pegar até 20 anos de prisão, além de multas e devolução dos valores obtidos ilegalmente. O caso reacende o debate sobre a fiscalização de programas de saúde públicos, especialmente no que diz respeito a procedimentos de alto custo.
O Medicare, que atende principalmente idosos e pessoas com deficiência, perde bilhões de dólares por ano com fraudes desse tipo. As autoridades afirmam que continuarão investigando outros médicos e empresas envolvidas em esquemas semelhantes.



