O lipedema é uma doença vascular crônica caracterizada pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas e, ocasionalmente, nos braços, causando dor na região afetada. A condição tem causas genéticas e atinge majoritariamente mulheres em idade reprodutiva. Diferentemente do linfedema, que envolve acúmulo de líquidos e compromete todo o membro, incluindo os pés, o lipedema preserva os pés e apresenta um tronco fino com aumento de gordura abaixo da cintura.
Os sintomas incluem desconforto, cansaço, hematomas frequentes, inchaço e dor nas pernas. A queixa principal, segundo a angiologista Lidiane Rocha, é o desconforto estético, que impede o uso de roupas que mostrem as pernas. Transtornos psicológicos também são comuns, mas pesquisas sugerem que alterações psicológicas podem preceder a doença e levar ao ganho de peso, piorando o quadro. O cirurgião vascular Mauro Figueiredo Carvalho de Andrade acrescenta que pacientes com lipedema são mais suscetíveis a lesões articulares e, em casos avançados, podem ter dificuldades na marcha e atrofia muscular.
A doença evolui em cinco estágios, começando pela região pélvica e progredindo para quadris, nádegas, coxas e pernas, podendo afetar o sistema linfático. O diagnóstico é predominantemente clínico, mas a ultrassonografia pode ajudar a dimensionar a extensão do problema. Não há cura, mas o tratamento visa aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
O manejo inclui controle de peso, alimentação rica em fibras e proteínas, evitando excesso de laticínios e carboidratos, além de atividade física constante com exercícios aeróbicos e musculação. O acompanhamento psicológico auxilia na adesão à dieta e na aceitação do biotipo. A cirurgia de lipoaspiração é reservada para casos avançados em que mudanças de hábitos não foram satisfatórias. Em alguns casos, recomenda-se o uso de meias de compressão de baixo estiramento, feitas com malha plana, que se adaptam melhor ao formato do membro.
Os especialistas que tratam o lipedema são angiologistas ou cirurgiões vasculares, podendo ser necessário acompanhamento com nutricionista e fisioterapeuta. Lidiane Rocha destaca que a doença ainda é mal diagnosticada e carece de atenção, sendo essencial uma condução empática da dor emocional de cada paciente diante de uma condição que tem melhora, mas não cura definitiva.



