O uso de cosméticos coreanos, conhecidos como K-Beauty, cresceu entre mulheres brasileiras de 18 a 35 anos, mas muitas não sabem que esses produtos foram desenvolvidos para uma estrutura capilar completamente diferente. A dermatologista Dra. Fabiana Addario, especialista em tricologia médica e cosmética com mais de 25 anos de experiência, relata um aumento significativo de pacientes com dúvidas sobre o tema. "Essa é a pergunta que mais recebo no consultório nos últimos dois anos: 'K-Beauty é para nós, brasileiros?'", afirma.
A ciência por trás do cabelo asiático
A indústria coreana investe bilhões em inovação e pesquisa, desenvolvendo fórmulas sofisticadas e eficazes. No entanto, essas fórmulas são direcionadas ao cabelo asiático, que possui características genéticas específicas: o fio é 30% mais espesso que o cabelo brasileiro, tem menor porosidade (absorve apenas 15-20% de água, contra até 50% do cabelo poroso), 85% das pessoas têm cabelo liso ou levemente ondulado, e o pH natural é mais ácido (entre 4,0 e 5,0). "Quando você entende essas características, entende por que os produtos coreanos funcionam tão bem lá. Porque foram desenvolvidos especificamente para essa estrutura", explica Dra. Fabiana.
Diversidade capilar brasileira
O Brasil possui uma das maiores diversidades capilares do mundo, incluindo cabelos lisos, ondulados, cacheados, crespos, com textura mista, porosos, ressecados, danificados por química e com predisposição genética para queda. "Essa diversidade é uma riqueza. Mas também significa que não existe um produto único que funcione para todos. E é exatamente aí que os produtos coreanos começam a não funcionar", diz a médica.
O padrão de queixas no consultório
Nos últimos dois anos, Dra. Fabiana observou um padrão entre as pacientes: mulheres que compram produtos coreanos influenciadas por vídeos ou recomendações de amigas, atraídas pelas embalagens bonitas. "No início, o cabelo fica brilhante. Depois, começa a ficar ressecado, quebradiço, perde a definição natural. Elas pensam: 'Vou usar mais produto.' Usam mais. Fica pior. E aí acham que é culpa delas. Que seu cabelo é 'difícil'. Não é. É que estão usando produtos pensados para outra estrutura capilar", relata.
O método da tricologia
Dra. Fabiana explica que a tricologia vai além da dermatologia: "É entender a biologia do fio, a genética capilar, a química das formulações, a porosidade, a resistência — é muito mais profundo." Seu método de diagnóstico baseia-se em três pilares. O primeiro é o diagnóstico detalhado: análise do histórico, rotina, hábitos e tipo de cabelo, tricoscopia digital para avaliar couro cabeludo e folículo, teste de tração para medir queda e exames laboratoriais para identificar deficiências nutricionais (ferro, zinco, vitamina D). O segundo pilar é o tratamento medicamentoso para tratar a causa do problema. O terceiro pilar é a recomendação de produtos formulados especificamente para a saúde do couro cabeludo e haste, que muitas vezes não são coreanos.
K-Beauty não é ruim, mas contexto é tudo
"Existem produtos coreanos excelentes. O problema é que eles não vêm com a informação: 'Este produto foi desenvolvido para cabelo asiático'", alerta Dra. Fabiana. Ela ressalta que, para quem tem cabelo liso, fino e com baixa porosidade — características próximas ao cabelo asiático — alguns produtos coreanos podem funcionar bem. Já para cabelos cacheados, crespos, porosos ou danificados, são necessárias formulações diferentes.
Perguntas antes de comprar um produto viral
Dra. Fabiana recomenda que as consumidoras façam as seguintes perguntas antes de adquirir um produto: Qual é meu tipo de cabelo? Este produto foi formulado para qual tipo de cabelo? Qual é o pH da fórmula? (cabelo brasileiro precisa de pH entre 4,5 e 5,5) Existem reviews de pessoas com meu tipo de cabelo? "Não confie em influenciadores — procure comentários de pessoas com cabelo similar", orienta. "A verdade é que você não precisa de um produto viral. Você precisa de um produto formulado para a estrutura do SEU cabelo. E se você não sabe qual é sua estrutura, é hora de procurar um especialista em tricologia."
Serviços: Dra. Fabiana Addario | Dermato Tricologia | CRM 88259 | RQE 61543. @drafabianaaddario @_clinicapelli



