As infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) causadas por vírus, bactérias e parasitas respondem por cerca de 13% de todos os cânceres no mundo, de acordo com a Associação Americana para Pesquisa do Câncer (AACR). O dado, divulgado em relatório recente, acende um alerta para a necessidade de prevenção e educação em saúde.
Principais agentes infecciosos relacionados ao câncer
Entre os patógenos mais associados ao desenvolvimento de tumores estão o papilomavírus humano (HPV), os vírus das hepatites B e C e o HIV. O HPV, por exemplo, é responsável por praticamente todos os casos de câncer de colo do útero, além de tumores de ânus, pênis, vagina e orofaringe. Já as hepatites B e C podem evoluir para câncer de fígado, enquanto o HIV, ao comprometer o sistema imunológico, aumenta o risco de vários tipos de câncer, como linfoma e sarcoma de Kaposi.
Prevenção: vacinação e preservativos
A prevenção é a arma mais eficaz contra esses cânceres. A vacina contra o HPV está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para meninos e meninas de 9 a 14 anos, mas a adesão ainda é baixa. Segundo o Ministério da Saúde, a cobertura vacinal contra o HPV no Brasil está abaixo da meta de 80% em muitos estados. "A vacinação é segura e eficaz, e pode prevenir milhares de casos de câncer anualmente", afirma o oncologista Gustavo Guimarães, em entrevista exclusiva. Além da vacina, o uso de preservativos em todas as relações sexuais reduz significativamente a transmissão de ISTs.
Testagem e tratamento do HIV
No caso do HIV, a testagem regular e o tratamento antirretroviral são fundamentais. Pessoas vivendo com HIV que mantêm a carga viral indetectável não transmitem o vírus e têm menor risco de desenvolver cânceres associados à imunossupressão. "O diagnóstico precoce e o tratamento adequado transformam o HIV em uma condição crônica controlável, reduzindo drasticamente a incidência de tumores", explica Guimarães.
A educação em saúde é outro pilar essencial. Informar a população sobre os riscos das ISTs e as formas de prevenção pode diminuir a incidência desses cânceres. Campanhas de conscientização nas escolas e na mídia são necessárias para combater o estigma e promover comportamentos seguros.
O relatório da AACR destaca que, apesar dos avanços, o silêncio em torno das ISTs ainda é perigoso. "Muitas pessoas desconhecem a relação entre infecções e câncer. Precisamos falar abertamente sobre o tema", conclui o especialista.



