O número de aposentados inadimplentes no Brasil cresceu 15% em 2026, alcançando 4,5 milhões de pessoas, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O aumento reflete a pressão financeira sobre essa parcela da população, que enfrenta inflação elevada e baixa correção dos benefícios.
Endividamento atinge recorde entre idosos
Pesquisa da CNDL indica que 62% dos aposentados estão endividados, o maior percentual desde 2019. Desses, 28% afirmam ter dívidas em atraso há mais de 90 dias. As principais causas são cartão de crédito (45%), crédito consignado (30%) e contas básicas como água e luz (15%).
“A situação é crítica. Muitos aposentados estão comprometendo mais de 50% da renda com dívidas, restando pouco para alimentação e medicamentos”, afirma José César da Costa, economista do SPC Brasil.
Impacto na qualidade de vida
A inadimplência forçou 1,2 milhão de aposentados a cortar gastos com saúde, como planos privados e medicamentos. Outros 800 mil reduziram a alimentação básica. O levantamento mostra que 34% dos entrevistados deixaram de comprar remédios por falta de dinheiro.
“Estamos vendo um aumento de casos de idosos que vendem bens ou pedem ajuda a familiares para quitar dívidas. A situação é alarmante”, destaca Maria Aparecida de Oliveira, presidente da Associação Brasileira de Aposentados (ABA).
Fatores que agravam o cenário
Entre os fatores apontados estão a inflação acumulada de 8,5% nos últimos 12 meses, o reajuste do salário mínimo abaixo da inflação e o aumento das taxas de juros do crédito consignado, que chegam a 2,5% ao mês. Além disso, o número de aposentados que contratam novos empréstimos para pagar dívidas antigas cresceu 22%.
“O consignado virou uma armadilha. Muitos idosos renovam o contrato sem entender as taxas, e a dívida só aumenta”, explica Costa.
Medidas emergenciais e propostas
O governo federal anunciou um pacote de renegociação de dívidas para aposentados, com descontos de até 70% em multas e juros. A medida, em vigor desde julho de 2026, já atendeu 300 mil pessoas. No entanto, especialistas defendem a ampliação do programa e a criação de educação financeira obrigatória para idosos.
“É urgente rever as regras do crédito consignado e limitar o comprometimento da renda a 30%. Sem isso, a inadimplência continuará crescendo”, alerta Oliveira.



