GLP-1 reduz mortes e amputações em diabéticos com doença arterial
GLP-1 reduz mortes e amputações em diabéticos com DAP

Os medicamentos da classe dos agonistas do receptor de GLP-1, amplamente usados no tratamento do diabetes tipo 2 e obesidade, foram associados à redução do risco de morte, hospitalizações, revascularizações e amputações em pacientes com diabetes tipo 2 e doença arterial periférica (DAP), segundo novo estudo publicado no Journal of the American Heart Association. Os benefícios foram observados após cinco anos de acompanhamento, em comparação com pacientes tratados com metformina.

Detalhes do estudo

Pesquisadores analisaram dados de prontuários eletrônicos da plataforma TriNetX entre 2010 e 2025. A análise principal incluiu 2.133 pacientes tratados com agonistas do receptor de GLP-1 e 2.133 com metformina. Os resultados sugerem que os GLP-1 podem trazer benefícios vasculares além do controle glicêmico e perda de peso, mas os autores ressaltam que estudos observacionais não são suficientes para mudar a prática clínica.

Principais achados

Na população geral com DAP e diabetes tipo 2, os usuários de GLP-1 apresentaram melhores resultados após cinco anos: mortalidade por qualquer causa de 10,31% contra 14,49% no grupo metformina; hospitalizações 69,3% versus 74,7%; revascularizações 4,69% versus 7,27%; amputações maiores 2,30% versus 4,36%; amputações menores 4,03% versus 6,42%.

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A autora Akiva Rosenzveig explicou ao g1 que pacientes com isquemia crônica e obesidade têm maior inflamação e disfunção endotelial. “Os agonistas do receptor de GLP-1 melhoram esses processos por perda de peso, controle glicêmico, efeitos anti-inflamatórios e melhora da função endotelial. Como esses pacientes têm maior risco basal, podem ser os que mais se beneficiam”, afirmou.

Sem redução em infarto e AVC

Não houve diferenças significativas nas taxas de infarto do miocárdio, AVC, eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE) ou eventos renais adversos maiores (MAKE). Rosenzveig disse que a mortalidade na DAP é influenciada por isquemia progressiva, infecções e hospitalizações, e que as reduções em amputações e revascularizações podem contribuir para melhor sobrevida.

Benefícios maiores em doença grave

Em pacientes com isquemia crônica ameaçadora do membro (CLTI), a forma mais grave, o tratamento com GLP-1 também reduziu mortalidade (8,24% versus 11,63%), hospitalizações (65,82% versus 69,83%), revascularizações (2,93% versus 4,18%), amputações maiores (3,14% versus 4,81%) e menores (6,44% versus 8,49%). Houve discretamente mais eventos renais adversos nesse subgrupo.

Influência da obesidade

Entre pacientes com obesidade (IMC ≥30 kg/m²), o uso de GLP-1 foi associado a menor hospitalização e menor risco de amputação menor. Já entre os sem obesidade, houve apenas tendência de redução em hospitalizações. Análise em pacientes com claudicação mostrou menor mortalidade, menos hospitalizações e menor risco de amputação maior.

Mecanismos propostos

Os autores sugerem que os GLP-1 melhoram a função endotelial, reduzem estresse oxidativo e inflamação vascular, aumentam óxido nítrico, reduzem citocinas pró-inflamatórias, favorecem vasodilatação, retardam aterosclerose e melhoram perfusão tecidual.

Relação com estudo anterior

Os resultados complementam o estudo STRIDE, que mostrou melhora na capacidade de caminhada e qualidade de vida com semaglutida, mas não tinha poder para avaliar mortalidade ou amputações. A nova análise investigou esses eventos em população maior por cinco anos.

Limitações

Por ser retrospectivo, não estabelece causalidade. As limitações incluem dependência da qualidade dos registros, impossibilidade de confirmar adesão, falta de dados sobre doses e mudanças de tratamento, e análise conjunta de diferentes GLP-1. Estudos randomizados são necessários para confirmar os achados.

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