Medicamentos GLP-1, como semaglutida e tirzepatida, podem melhorar parâmetros espermáticos em homens obesos, mas apenas quando promovem perda de peso significativa, alerta urologista da Huntington Medicina Reprodutiva. O efeito depende de redução de 5% a 10% do peso corporal e leva meses para se manifestar, enquanto a automedicação pode atrasar o diagnóstico de causas tratáveis de infertilidade.
Mecanismo de ação dos GLP-1 na fertilidade masculina
De acordo com o especialista, os agonistas do receptor GLP-1 atuam indiretamente na fertilidade masculina. Eles promovem perda de peso em homens obesos, o que melhora o perfil hormonal, reduzindo estrogênio e aumentando testosterona, e diminui o estresse oxidativo nos testículos. Isso pode levar a melhora na contagem, motilidade e morfologia dos espermatozoides.
“A melhora nos parâmetros espermáticos ocorre apenas se houver perda de peso efetiva, geralmente acima de 5% do peso inicial, e pode levar de três a seis meses para ser observada”, explica o urologista. Ele ressalta que o tratamento deve ser acompanhado por médico, com dieta e exercícios.
Riscos da automedicação
O uso de GLP-1 sem prescrição pode mascarar problemas de fertilidade que têm outras causas, como varicocele, infecções, alterações genéticas ou obstruções. “Muitos homens recorrem a esses medicamentos por conta própria, achando que vão resolver a infertilidade, mas isso pode atrasar o diagnóstico e o tratamento adequado”, alerta o especialista.
Segundo ele, a avaliação de um urologista é essencial para identificar a causa da infertilidade e indicar o tratamento correto. Em alguns casos, a perda de peso com GLP-1 pode ser benéfica, mas não substitui exames como espermograma, dosagens hormonais e ultrassom.
Impacto na saúde reprodutiva masculina
A obesidade é um fator de risco conhecido para infertilidade masculina, afetando a qualidade espermática e a função hormonal. Estudos mostram que a perda de peso pode reverter parte desses efeitos. No entanto, o uso de GLP-1 não é indicado para homens com peso normal ou sobrepeso leve, pois os benefícios são limitados e os efeitos colaterais, como náuseas e diarreia, podem ser significativos.
O urologista da Huntington conclui que a decisão de usar GLP-1 deve ser individualizada, baseada em avaliação clínica e exames. “O tratamento da infertilidade masculina exige abordagem multidisciplinar, e os GLP-1 podem ser uma ferramenta útil em casos selecionados, mas nunca devem ser usados sem supervisão médica.”



