É #FAKE: Roberto Carlos não recomenda protocolo contra diabetes; vídeos são criados por IA
É #FAKE: Roberto Carlos não recomenda protocolo contra diabetes

Circula nas redes sociais uma série de vídeos manipulados com inteligência artificial que utilizam a imagem e simulam a voz do cantor Roberto Carlos para promover um suposto tratamento contra diabetes. As gravações são completamente falsas e fazem parte de um golpe que já foi denunciado pelo próprio artista e por especialistas da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Conteúdos falsos usam IA para enganar

Em um dos vídeos, o cantor aparece supostamente afirmando que superou a doença após adotar um "protocolo metabólico suíço". Em outra versão, ele alega que o tratamento é um protocolo natural baseado na eliminação da gordura acumulada no pâncreas. Os áudios, gerados por inteligência artificial, atribuem a Roberto Carlos declarações mentirosas, como a de que ele sofreu por anos com a doença e críticas aos tratamentos convencionais e à indústria farmacêutica. As publicações sempre terminam com um chamado para clicar em links e comprar os produtos.

As imagens utilizadas nos vídeos foram extraídas indevidamente de conteúdos autênticos, mas sem qualquer relação com diabetes. Em um caso, as cenas vêm de uma entrevista concedida a uma rádio colombiana em 2018, na qual o cantor falava sobre suas composições. No outro, as imagens foram retiradas de um material de 2025 sobre um espetáculo.

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Roberto Carlos e médicos desmentem

No dia 20 de julho, Roberto Carlos publicou um alerta em suas redes sociais. Ele afirmou: "Está circulando nas redes sociais um vídeo criado com o uso de inteligência artificial, utilizando minha imagem e uma voz que imita a minha para divulgar um suposto tratamento e isso não é verdade. Quero deixar muito claro que esse vídeo é FALSO. Nunca gravei esse vídeo, não autorizei o uso da minha imagem ou da minha voz e não tenho nenhuma relação com o tratamento, produto divulgado ou suposto médico mencionado. Peço que não compartilhem esse material. Além de enganar as pessoas, esse tipo de conteúdo pode causar prejuízos a quem acredita em informações falsas sobre saúde."

Procurado pelo Fato ou Fake, o coordenador do Departamento de Educação em Diabetes e Campanhas da Sociedade Brasileira de Diabetes, Fernando Valente, também desmentiu as alegações. "Não existe nenhum protocolo reconhecido internacionalmente chamado protocolo metabólico suíço", afirmou. Ele explicou que a promessa de "limpar o pâncreas" com um protocolo natural simplifica indevidamente o diabetes e pode levar pacientes a abandonar tratamentos comprovados, como metformina e insulina.

Especialista detalha os riscos

Valente esclareceu que a fisiopatologia do diabetes tipo 2 é altamente complexa. "É muito mais do que simplesmente um depósito de gordura no pâncreas, embora isso também explique a progressão do diabetes tipo 2", disse. Segundo ele, o tratamento da obesidade e do sobrepeso, presente em 90% das pessoas com diabetes tipo 2, melhora a quantidade de gordura no pâncreas e a capacidade de funcionamento do órgão. No entanto, a doença envolve múltiplos mecanismos, como resistência à insulina, alterações na secreção de insulina e de hormônios como glucagon, além do acúmulo de gordura em diferentes órgãos. Reduzir o diabetes a um problema de gordura no pâncreas é incorreto.

O especialista alertou que seguir um suposto "protocolo natural" pode levar pacientes a interromper tratamentos comprovados. Cerca de 30% das pessoas com diabetes tipo 2 precisam de insulina, assim como todas com diabetes tipo 1. Esses medicamentos são fundamentais para controlar a glicemia e condições associadas, como hipertensão e colesterol alto. Abandonar o tratamento, segundo Valente, representa um risco grave, já que o diabetes é uma doença silenciosa, progressiva e sem cura. "É justamente o contrário do que os vídeos afirmam. Temos estudos clínicos de décadas mostrando a segurança e a eficácia de medicamentos como metformina e insulina", concluiu.

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Golpe usa técnicas de persuasão

Os vídeos falsos recorrem a técnicas conhecidas de persuasão, típicas de anúncios de produtos sem comprovação científica: promessa de cura rápida, chamada para clicar e comprar, alegação de escassez ("últimas unidades"), uso da imagem de celebridades para ganhar confiança e apelo a emoções como medo e urgência. A recomendação é nunca compartilhar esse tipo de conteúdo e sempre buscar informações oficiais nos canais do artista ou de entidades de saúde.