Uma pesquisa apresentada na Conferência da Associação Internacional de Alzheimer revelou que exames de sangue capazes de prever o risco da doença de Alzheimer podem ser utilizados no atendimento clínico diário, transformando o diagnóstico precoce. O estudo, que envolveu mais de 1.300 pacientes e 165 médicos, mostrou que clínicos gerais que receberam os resultados de um exame de sangue medindo biomarcadores relacionados ao Alzheimer conseguiram diagnosticar a doença com quase a mesma precisão que especialistas.
Biomarcadores e precisão diagnóstica
O teste analisa a beta-amiloide e a tau fosforilada, proteínas cerebrais anormais associadas à doença, alcançando uma precisão de cerca de 90%. Atualmente, o padrão-ouro para confirmar o Alzheimer envolve exames de PET (imagem cerebral) e análise do líquido cefalorraquidiano, ferramentas caras e de acesso limitado. "Esta é uma notícia esperançosa para os pacientes, que muitas vezes enfrentam atrasos e longos tempos de espera antes de receber um diagnóstico claro e tratamento", afirmou Sheena Aurora, vice-presidente de assuntos médicos da Associação do Alzheimer. "Os resultados sugerem que todo o ecossistema de cuidados poderá ser beneficiado."
Desafios na atenção primária
O neurologista cognitivo da Mayo Clinic, Bryan Woodruff, destacou a necessidade de ampliar o contingente de profissionais capazes de diagnosticar a doença. "A população do planeta está envelhecendo e os casos de demência, aumentando. Todos os médicos vão acabar se deparando com pacientes com esse quadro. Como não há especialistas em número suficiente, temos que ampliar o acesso ao tratamento: o diagnóstico tem que entrar no radar da atenção primária de saúde, no atendimento feito pelos médicos de família, num esforço global de enfrentamento", afirmou Woodruff durante um seminário on-line.
Impacto global da demência
Atualmente, mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com demência, sendo que 60% residem em países de baixa e média renda. O crescimento do número de casos nessas regiões torna a demência uma das maiores preocupações de saúde pública do século XXI. A disponibilidade de exames de sangue simples e de baixo custo pode democratizar o diagnóstico, permitindo que médicos da atenção primária identifiquem a doença precocemente e iniciem intervenções mais rapidamente.



