Eurofarma firma parceria com dinamarquesa para trazer vacina contra chikungunya ao Brasil
Eurofarma fecha acordo para vacina contra chikungunya no Brasil

A Eurofarma fechou uma parceria com a dinamarquesa Bavarian Nordic para trazer ao Brasil a vacina CHIKV VLP contra chikungunya, ampliando a aposta da farmacêutica brasileira em áreas de alta relevância epidemiológica.

Acordo de exclusividade e distribuição na América Latina

Pelo acordo, a Eurofarma terá direitos exclusivos de comercialização e distribuição do imunizante no mercado brasileiro. A companhia também terá direito de preferência para oportunidades de registro e comercialização em outros países da América Latina onde já atua.

A farmacêutica brasileira será responsável pela estratégia de acesso da vacina no país e informou que já submeteu o produto à Anvisa em junho de 2026. Também ficará à frente das atividades de comercialização, acesso e distribuição em todo o território nacional.

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Cenário epidemiológico da chikungunya

A parceria acontece em um momento em que a chikungunya segue pressionando os sistemas de saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 490 mil casos e cerca de 200 mortes foram registrados no mundo em 2025. No Brasil, no mesmo período, foram notificados quase 130 mil casos e 120 óbitos.

João Siffert, vice-presidente de Inovação na Eurofarma, afirmou que a introdução da vacina é um reforço no compromisso da Eurofarma de ampliar o acesso da população a produtos de saúde inovadores. “A chikungunya segue avançando no Brasil e gerando impacto significativo sobre pacientes, não só durante a infecção inicial, mas também com efeitos crônicos, impactando os pacientes e sistemas de saúde. Esta vacina usa uma tecnologia moderna e amplamente validada, com perfil de segurança favorável e capacidade de induzir resposta imunológica rápida, contribuindo para fortalecer as iniciativas de prevenção da doença”, afirma.

Tecnologia da vacina CHIKV VLP

A CHIKV VLP é uma vacina recombinante de dose única desenvolvida com tecnologia de partículas semelhantes ao vírus (virus-like particles – VLP). A plataforma reproduz a estrutura externa do vírus sem carregar material genético, o que significa que as partículas não infectam células, não se replicam e não têm potencial para causar a doença.

Segundo as companhias, estudos clínicos mostraram perfil de segurança favorável e alta capacidade de induzir anticorpos neutralizantes em diferentes faixas etárias, incluindo adolescentes, adultos e idosos. A resposta imunológica foi observada rapidamente após a vacinação.

Declarações da Bavarian Nordic

De acordo com Paul Chaplin, Presidente e CEO da Bavarian Nordic, a submissão à Anvisa representa um marco importante na estratégia da companhia de ampliar o acesso à vacina contra chikungunya para além dos mercados tradicionalmente associados a viajantes, alcançando regiões onde a doença representa um ônus recorrente para a saúde pública. “Por meio da nossa parceria com a Eurofarma, estamos combinando a inovação global em vacinas com uma sólida expertise local para apoiar o acesso das populações que vivem sob risco de chikungunya. Estamos entusiasmados para trabalhar em estreita colaboração com a Eurofarma e com a Anvisa ao longo de todo o processo de análise”, diz.

Aprovação internacional e impacto global

O imunizante já foi aprovado para a imunização ativa de pessoas a partir de 12 anos nos Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Suíça e Canadá, sob o nome comercial VIMKUNYA®.

Nos últimos 20 anos, a chikungunya se espalhou por regiões da Ásia, África, Europa e Américas e já foi identificada em mais de 110 países. No Brasil, a doença vem ganhando relevância não apenas pelo número de casos, mas também pelo potencial de cronificação das manifestações musculoesqueléticas e pelo impacto prolongado sobre a qualidade de vida dos pacientes.

Estratégias nacionais de combate

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde vem reforçando as estratégias nacionais de vigilância, prevenção e resposta às arboviroses por meio do Plano Nacional de Contingência para dengue, chikungunya e zika, com ações de monitoramento epidemiológico, prevenção, comunicação em saúde e preparação da rede assistencial.

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Nesse contexto, a chegada de novas vacinas é vista como uma ferramenta complementar aos esforços de vigilância, prevenção e controle, com potencial para reduzir casos, complicações e mortes associadas à doença.