Um estudo recente trouxe à tona um dado alarmante sobre a saúde mental dos policiais militares do Rio de Janeiro: quatro em cada dez agentes afirmam fazer uso de ansiolíticos ou antidepressivos. A pesquisa, conduzida por especialistas em saúde pública, entrevistou cerca de 1.500 PMs de diferentes batalhões da capital e da região metropolitana, revelando um cenário de sofrimento psíquico generalizado na corporação.
Contexto do estudo
O levantamento foi realizado entre janeiro e março de 2026, por meio de questionários anônimos aplicados durante os turnos de serviço. Os resultados indicam que 41,3% dos policiais relataram o uso regular de medicamentos controlados, sendo os ansiolíticos (como benzodiazepínicos) os mais citados, seguidos por antidepressivos. A maioria dos entrevistados afirmou ter iniciado o tratamento após situações de estresse extremo ou traumas vivenciados no trabalho.
Fatores de risco
Entre os principais fatores apontados pelos policiais para o uso dessas substâncias estão:
- Exposição constante à violência armada;
- Jornadas de trabalho exaustivas, com poucas horas de descanso;
- Falta de suporte psicológico adequado dentro da instituição;
- Medo de represálias ao buscar ajuda profissional.
O estudo também destacou que 23% dos entrevistados já pensaram em suicídio ao menos uma vez na carreira, e 12% relataram tentativas anteriores. Esses números colocam a Polícia Militar fluminense entre as corporações com maior índice de sofrimento psíquico no Brasil.
Reações e medidas
A Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou, em nota, que já implementa programas de acolhimento psicológico, mas reconhece a necessidade de ampliar o acesso aos serviços. “Estamos contratando mais psicólogos e criando canais de atendimento sigilosos para que os policiais possam buscar ajuda sem medo de estigmatização”, afirmou o secretário. No entanto, especialistas ouvidos pela reportagem criticam a lentidão das ações e defendem uma política de saúde mental estruturada e contínua.
Impacto na segurança pública
O uso indiscriminado de ansiolíticos e antidepressivos preocupa não apenas pela saúde dos agentes, mas também pela segurança da população. Medicamentos como benzodiazepínicos podem causar sonolência, redução dos reflexos e dificuldade de concentração, o que compromete a atuação em ocorrências de alto risco. “Um policial medicado pode não ter a mesma capacidade de reação em uma situação de confronto, colocando em risco a própria vida e a de terceiros”, alerta um psiquiatra consultado.
A pesquisa recomenda a criação de um programa permanente de saúde mental, com acompanhamento individualizado, redução da carga horária e campanhas de conscientização para combater o preconceito interno. Enquanto isso, a corporação segue lidando com o paradoxo de proteger a sociedade enquanto seus próprios agentes adoecem silenciosamente.



