A partir deste ano, as empresas no Brasil passaram a ter a obrigação legal de identificar sinais de sobrecarga psicológica no ambiente de trabalho. A medida, que entra em vigor em 2025, visa proteger a saúde mental dos colaboradores e prevenir doenças ocupacionais. No entanto, para o trabalhador, reconhecer esses sinais em si mesmo continua sendo o primeiro passo para evitar o esgotamento.
O que diz a nova obrigação?
A legislação atualizada determina que as organizações devem implementar programas de monitoramento e prevenção do estresse laboral, incluindo avaliações periódicas e treinamentos. O descumprimento pode gerar multas e ações trabalhistas. Segundo especialistas, a medida é um avanço, mas ainda há desafios na aplicação prática.
Sinais de que o estresse passou do limite
O Dr. Éverton da Costa Sagiorato, médico do trabalho, explica que os principais indicadores de sobrecarga psicológica incluem: insônia, irritabilidade constante, dificuldade de concentração, dores de cabeça frequentes, alterações no apetite e isolamento social. "Quando esses sintomas persistem por mais de duas semanas, é hora de buscar ajuda profissional", alerta.
Além disso, o especialista destaca que o estresse crônico pode levar a doenças mais graves, como depressão, ansiedade generalizada e síndrome de burnout. "O burnout é caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional. É fundamental que o trabalhador não ignore esses sinais", acrescenta.
O que as empresas devem fazer?
As empresas precisam criar canais de comunicação seguros para que os funcionários relatem sintomas sem medo de represálias. Também devem oferecer suporte psicológico, como convênios com psicólogos ou programas de saúde mental. "A prevenção é mais eficaz e menos custosa do que o tratamento", afirma o Dr. Éverton.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, o Brasil é o segundo país com mais casos de burnout no mundo, atrás apenas do Japão. A nova obrigação legal busca reverter esse cenário, mas exige engajamento tanto das empresas quanto dos trabalhadores.
Como o trabalhador pode se proteger?
O primeiro passo é o autoconhecimento. O Dr. Éverton recomenda que o trabalhador observe seu corpo e emoções diariamente. "Pequenas pausas durante a jornada, atividades físicas e hobbies fora do trabalho ajudam a aliviar a pressão", sugere. Outra dica é estabelecer limites claros entre vida profissional e pessoal, evitando levar trabalho para casa ou responder mensagens fora do expediente.
Se os sintomas persistirem, é essencial procurar um médico do trabalho ou psicólogo. "Não espere chegar ao extremo. Cuidar da saúde mental é tão importante quanto cuidar da saúde física", conclui o especialista.



