El Niño: como proteger pets do calor extremo
El Niño: proteja seus pets do calor extremo

As ondas de calor intensificadas pelo fenômeno El Niño não afetam apenas os humanos: cães e gatos também sofrem com as altas temperaturas e podem desenvolver quadros graves de hipertermia, que podem levar à morte. Com a previsão de novos recordes de calor para os próximos meses, tutores precisam redobrar os cuidados com seus animais de estimação.

Por que o calor é tão perigoso para os pets?

Diferente dos humanos, cães e gatos não suam pela pele. Para regular a temperatura corporal, eles ofegam e, no caso dos cães, transpiram apenas pelas almofadinhas das patas. Essa limitação torna os animais muito mais vulneráveis ao calor extremo, especialmente em dias de alta umidade e baixa ventilação.

Segundo a médica veterinária Dra. Mariana Prado, especialista em clínica de pequenos animais, em entrevista ao jornal O Globo, “os pets não conseguem se adaptar rapidamente a mudanças bruscas de temperatura. Em dias muito quentes, o risco de hipertermia aumenta consideravelmente, principalmente em raças braquicefálicas, como pugs e buldogues, que têm mais dificuldade para respirar”.

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Sinais de alerta: como identificar o superaquecimento

Os tutores devem ficar atentos aos sinais de que o animal está sofrendo com o calor. Os sintomas mais comuns incluem ofegância excessiva, salivação intensa, gengivas avermelhadas, fraqueza, vômitos e até convulsões. Em casos graves, o animal pode desmaiar e entrar em coma.

Dra. Mariana alerta: “Se o tutor notar qualquer um desses sintomas, é fundamental agir rápido. Leve o animal para um local fresco, ofereça água fresca e umedeça as patas e a cabeça com um pano úmido. Em seguida, procure imediatamente um veterinário. A hipertermia pode causar danos irreversíveis aos órgãos internos”.

Dicas práticas para proteger seu pet no calor

  • Hidratação constante: mantenha sempre água fresca e limpa à disposição. Em dias muito quentes, adicione pedras de gelo para manter a água gelada por mais tempo.
  • Horários de passeio: evite passear com o animal entre 10h e 16h, quando o sol está mais forte. Prefira horários como início da manhã ou fim da tarde, e opte por superfícies que não estejam quentes, como grama ou terra.
  • Nunca deixe no carro: mesmo com as janelas abertas, a temperatura dentro de um carro estacionado pode subir rapidamente e causar a morte do animal em poucos minutos.
  • Ambientes frescos: garanta que o pet tenha acesso a locais ventilados e com sombra. Use tapetes refrescantes ou toalhas úmidas para ajudar a baixar a temperatura.
  • Cuidados com as patas: o asfalto quente pode queimar as almofadinhas das patas. Antes de sair, coloque a mão no chão por alguns segundos: se estiver quente demais para você, está quente demais para o pet.

Raças mais vulneráveis e cuidados especiais

Raças braquicefálicas, como pugs, buldogues, shih tzus e gatos persas, têm maior dificuldade em dissipar o calor devido à anatomia das vias aéreas. Filhotes, animais idosos e aqueles com doenças cardíacas ou respiratórias também exigem atenção redobrada.

Para esses animais, a recomendação é manter o ambiente com ar-condicionado ou ventilador, evitar exercícios extenuantes e oferecer petiscos gelados, como pedaços de frutas congeladas, desde que liberados pelo veterinário.

Impacto do El Niño na saúde animal

O El Niño é um fenômeno climático que provoca o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, alterando os padrões de chuva e temperatura em várias partes do mundo. No Brasil, ele costuma intensificar as ondas de calor, principalmente nas regiões Sul e Sudeste.

Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que a temperatura média no país pode ficar até 2°C acima do normal durante os meses de pico do fenômeno. Isso aumenta significativamente o risco de hipertermia em animais domésticos.

Especialistas recomendam que, durante períodos de calor extremo, os tutores redobrem a atenção e adaptem a rotina do pet para garantir seu bem-estar. “A prevenção é sempre o melhor remédio. Com alguns cuidados simples, é possível evitar que o animal sofra com o calor e tenha complicações de saúde”, conclui Dra. Mariana.

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