Um estudo conduzido pela UT Health San Antonio, publicado na revista Alzheimer's & Dementia, revela que dormir regularmente de 9 a 10 horas ou mais está associado a níveis mais altos da proteína tau no sangue, um biomarcador ligado à doença de Alzheimer. A pesquisa utilizou dados do Framingham Heart Study e identificou essa relação entre o sono prolongado e a proteína p-tau181, sugerindo que o excesso de sono pode ser um indicador precoce de processos neurodegenerativos.
Relação entre duração do sono e biomarcadores
Os pesquisadores analisaram amostras de sangue e padrões de sono de participantes do Framingham Heart Study. Eles descobriram que aqueles que dormiam de 9 a 10 horas ou mais por noite apresentavam níveis significativamente mais altos de p-tau181 em comparação com aqueles que dormiam de 7 a 8 horas. A proteína tau é conhecida por formar emaranhados neurofibrilares no cérebro, uma característica marcante do Alzheimer.
“Tanto a duração curta quanto a longa do sono têm sido associadas ao risco de Alzheimer, mas nosso estudo foca especificamente no sono prolongado e sua ligação com a tau”, explicou o Dr. Sudha Seshadri, coautor do estudo e diretor do Glenn Biggs Institute for Alzheimer’s and Neurodegenerative Diseases.
Implicações para a saúde pública
Os achados destacam a importância de monitorar a duração do sono como potencial fator de risco para a doença. Embora o estudo não prove causalidade, ele sugere que dormir excessivamente pode ser um sinal de alerta para alterações cerebrais precoces. “Se confirmado, o sono prolongado pode se tornar um marcador clínico simples e não invasivo para triagem de risco”, acrescentou Seshadri.
O estudo reforça a necessidade de mais pesquisas para entender os mecanismos subjacentes e determinar se a redução do sono prolongado pode diminuir o risco de Alzheimer. Enquanto isso, especialistas recomendam manter uma rotina de sono saudável, com duração entre 7 e 8 horas por noite, e consultar um médico em caso de mudanças significativas nos padrões de sono.



