O Brasil registrou melhora na cobertura vacinal de crianças de até 2 anos em 2026, com aumento de 5% na aplicação de doses do calendário básico, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde. A taxa de vacinação, que vinha caindo nos últimos anos, subiu para 78% em média, ainda abaixo da meta de 95%.
Dados por região e vacinas
As maiores altas foram nas regiões Norte e Nordeste, com incrementos de 8% e 6%, respectivamente. As vacinas com maior crescimento foram a pentavalente (aumento de 7%) e a poliomielite (alta de 6%). A vacina contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral) registrou aumento de 4%.
Segundo o Ministério, o resultado reflete campanhas de conscientização e busca ativa de crianças não vacinadas. "Tivemos um esforço conjunto de estados e municípios para recuperar a confiança da população", afirmou o secretário de Vigilância em Saúde, João Silva.
Impacto da pandemia e desafios
A queda na cobertura vacinal começou em 2020, durante a pandemia de covid-19, e se agravou nos anos seguintes. Em 2022, a taxa chegou a 70%, a menor da série histórica. A recuperação em 2026 é vista como positiva, mas especialistas alertam que ainda há risco de retorno de doenças erradicadas, como a poliomielite.
A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) destacou que a melhora é animadora, mas que é necessário atingir a meta de 95% para garantir a proteção coletiva. "Cada criança não vacinada é uma porta aberta para surtos", disse a presidente da SBIm, Maria Santos.
Próximos passos
O Ministério da Saúde planeja intensificar as campanhas em 2027, com foco em áreas rurais e comunidades indígenas, onde a cobertura é menor. Também será ampliado o uso de cadernetas digitais para monitorar em tempo real as taxas de vacinação.



