Cirurgia histórica separa gêmeas siamesas unidas pelo crânio
As gêmeas siamesas Mercy e Goodness, de 15 meses, que nasceram unidas pela cabeça, foram separadas com sucesso após uma série de quatro cirurgias realizadas ao longo de seis meses em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O caso, considerado um dos mais raros e complexos da medicina, teve probabilidade de ocorrência de apenas um em cada 10 milhões de nascimentos.
A equipe médica contou com mais de 60 profissionais de saúde de quatro países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos. As irmãs compartilhavam partes do crânio, vasos sanguíneos e até áreas do cérebro, o que tornou o procedimento extremamente delicado.
Detalhes do procedimento
De acordo com os médicos, as gêmeas foram submetidas a quatro intervenções cirúrgicas progressivas, planejadas para minimizar riscos e garantir a separação segura. A última cirurgia, a mais crítica, durou mais de 20 horas e exigiu o uso de tecnologia de ponta, incluindo navegação cirúrgica 3D e monitoramento neurológico contínuo.
O Dr. Khalid Al Zarooni, cirurgião-chefe do hospital em Abu Dhabi, destacou que o sucesso da operação foi resultado de um planejamento meticuloso e da colaboração internacional. "Cada detalhe foi estudado por meses. A separação de gêmeas craniópagas é um dos maiores desafios da neurocirurgia", afirmou.
Recuperação e perspectivas
Após a última cirurgia, Mercy e Goodness seguem em reabilitação intensiva em uma unidade de terapia intensiva pediátrica. Os médicos estão otimistas quanto à recuperação total e acreditam que as meninas poderão levar uma vida normal, com desenvolvimento neurológico adequado.
Os pais das gêmeas, que residem na Nigéria, agradeceram à equipe médica e às autoridades dos Emirados Árabes Unidos pelo apoio. "Estamos muito felizes. Nossas filhas agora podem crescer independentes", disseram em comunicado.
Casos de gêmeas siamesas unidas pelo crânio, conhecidas como craniópagas, são extremamente raros, representando cerca de 2% de todos os casos de gêmeos siameses. A taxa de sucesso em separações depende de vários fatores, incluindo a extensão da fusão cerebral e vascular.



