Cigarro eletrônico: riscos e efeitos no organismo vão além do pulmão
Cigarro eletrônico: riscos e efeitos no organismo vão além do pulmão

O cigarro eletrônico, criado inicialmente como uma alternativa para ajudar fumantes a deixar o cigarro convencional, acabou atraindo um novo público: os jovens. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 70% dos usuários têm entre 15 e 24 anos. No Brasil, a comercialização, importação e propaganda desses dispositivos são proibidas, mas eles ainda são facilmente encontrados no mercado informal, o que dificulta o controle das substâncias presentes.

Diferentemente do cigarro comum, os vapes contêm nicotina em estado líquido, em concentrações supostamente menores, mas apresentam mais de 80 substâncias tóxicas, muitas delas relacionadas ao surgimento de câncer. A dra. Mariana Laloni, oncologista da Oncoclínicas e doutora em cirurgia torácica pela FMUSP, afirma que o risco do cigarro eletrônico pode ser igual ou maior que o do convencional, devido à presença das mesmas substâncias nocivas.

Além dos danos pulmonares, como inflamações que podem levar à insuficiência respiratória e pneumonia, um estudo publicado em 2022 na revista eLife mostrou que o uso de vapes aumenta marcadores inflamatórios no cérebro, elevando o risco de AVC e propensão à dependência. A neuroinflamação também está associada a ansiedade, depressão e transtornos de humor.

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No intestino, os pesquisadores observaram aumento de marcadores inflamatórios no cólon, o que pode causar doenças gastrointestinais. Já no sistema cardiovascular, houve redução dos marcadores inflamatórios, indicando imunossupressão que deixa o coração mais vulnerável a infecções e infarto.

Uma condição específica ligada ao uso de cigarros eletrônicos é a lesão pulmonar associada ao uso de cigarro eletrônico ou produto vaping (EVALI). Os sintomas incluem tosse, dor no peito, falta de ar, náuseas e perda de peso. Um estudo do CDC dos EUA em 2020 registrou 68 mortes entre quase 3 mil hospitalizados, a maioria jovens. No Brasil, especialistas apontam subnotificação dos casos.

A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) recomenda a suspensão do uso e tratamento com oxigenação e ventilação. Como os vapes se popularizaram há apenas cinco anos, os efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos, e as reações variam conforme o sabor e o tipo de dispositivo. Especialistas alertam que os vapes são a porta de entrada para o tabagismo entre os jovens, ameaçando o sucesso do Brasil no combate ao fumo.

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