Campinas confirma 1º caso de raiva em gatos desde 2016
Campinas confirma 1º caso de raiva em gatos desde 2016

A Prefeitura de Campinas (SP) confirmou o primeiro caso de raiva em um gato na cidade desde 2016. O caso foi registrado no Cemitério da Saudade, no bairro Vila Paraíso, e provocou uma ação de bloqueio vacinal na região. Nesta terça-feira (4), agentes de saúde realizaram vacinação de cães e gatos de casa em casa no entorno do cemitério, após mapearem 180 animais domésticos em um raio de 300 metros do local.

Mapeamento e orientação aos moradores

Entre sexta-feira (31) e segunda-feira (3), equipes da Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) percorreram a vizinhança para identificar quantos cães e gatos vivem na área e quais estavam com a vacina antirrábica atrasada. O médico veterinário Bruno Emerson Bernardes da Silva, da UVZ de Campinas, explicou que o trabalho incluiu orientações sobre prevenção e investigação de possíveis contatos com o animal infectado.

“Nós fomos orientando sobre a prevenção da raiva, investigando se alguém já tinha tido contato com o caso positivo da gata encontrada no cemitério”, afirmou Silva. Os moradores que não estavam em casa durante a ação receberam aviso para vacinar seus pets no próximo sábado (8). Na segunda-feira (3), a equipe também vacinou gatos que vivem dentro do cemitério e na área externa, com apoio de protetoras de animais que atuam no local.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Raiva furiosa e raiva paralítica: diferenças

Apesar do registro, a prefeitura descartou uma campanha de vacinação em massa na cidade (o chamado “Dia D”), seguindo diretrizes do Ministério da Saúde e do Instituto Pasteur. “A questão aqui é a seguinte: nós fazemos essa vacinação de bloqueio. Agora, a questão de vacinação em forma de campanha, pelas normativas de profilaxia de raiva hoje do Instituto Pasteur e do Ministério da Saúde, nós não fazemos porque temos a forma paralítica”, explicou Silva.

A variante canina do vírus da raiva, associada à forma furiosa da doença, não circula no estado de São Paulo há mais de duas décadas. O último caso humano por essa variante foi registrado em 1997, e o último caso em cães e gatos, em 1998. Diante desse cenário, São Paulo suspendeu, a partir de 2022, as campanhas anuais de vacinação contra a raiva, mantendo a imunização de rotina, a vacinação de animais que tiveram contato com morcegos e as ações de bloqueio de foco.

No caso recente de Campinas, a gata que morreu contraiu a variante do morcego, que causa a raiva paralítica. Os sintomas incluem prostração e sinais neurológicos, o que reduz o risco de ataques. “Antigamente, na forma furiosa, onde o cão saía atacando e mordendo as pessoas, era outro tipo de vírus. Agora, com esse tipo de vírus, o animal fica prostrado e é preconizada somente a vacinação no bloqueio, no entorno onde foi encontrado o caso”, detalhou o veterinário.

Vacinação gratuita e próximas ações

A vacina antirrábica gratuita segue disponível durante todo o ano na sede da UVZ. O atendimento deve ser agendado de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, pelo telefone (19) 2515-7044. Nas próximas semanas, a prefeitura fará ações educativas para evitar o contato de visitantes com os gatos do cemitério e palestras para os funcionários do local sobre os riscos da interação com os animais.

Apenas em 2026, a administração municipal já identificou quatro morcegos positivos para a raiva em Campinas. A confirmação do caso em gato reforça a importância da vigilância e da vacinação de rotina para prevenir a disseminação da doença.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar