Cacique Raoni é transferido para SP com infecção grave
Cacique Raoni é transferido para SP com infecção grave

O líder indígena Raoni Metuktire, de 94 anos, foi transferido de avião do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop (MT), para o Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde o último domingo (14) e agora seguirá o tratamento na capital paulista.

Motivo da transferência

Segundo o hospital, a decisão pela transferência foi tomada para assegurar a continuidade da assistência em unidade de referência para o acompanhamento cirúrgico do paciente. “Desde sua saída da UTI, em Sinop, até o embarque em um hangar anexo ao Aeroporto Presidente João Batista Figueiredo, com destino à capital paulista, o cacique Raoni foi acompanhado pelo médico Douglas Yanai, integrante da equipe assistencial do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros”, informou o hospital.

Diagnóstico grave

No domingo, os exames iniciais de Raoni apontaram alterações na função renal e indicadores compatíveis com um processo infeccioso grave. A principal hipótese diagnóstica é de sepse com foco pulmonar, causada por uma pneumonia broncoaspirativa associada a episódios de vômito. Segundo o diretor técnico do hospital, Douglas Yanai, apesar do histórico médico de Raoni, “ele é um homem forte, mas que é muito importante continuar tendo atenção”. Yanai acrescentou: “Acho sempre importante a gente lembrar que ele é um homem muito forte. Se nós olharmos o histórico dele, das internações anteriores, a gente pode dizer isso, porque conhece e acompanha a saúde dele desde 2017, quando o conhecemos a primeira vez [...] ele é uma pessoa que já teve as suas intercorrências de saúde ao longo da vida, e como um homem da idade que ele tem, ele tem uma saúde um pouco mais frágil, embora nesse momento esteja bem”.

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Histórico de internações

Em maio deste ano, Raoni foi internado no mesmo hospital após sentir fortes dores na barriga devido a uma hérnia antiga, mas recebeu alta médica após dois dias de tratamento. Cinco dias depois, voltou a apresentar complicações de saúde e foi novamente para a UTI para tratar um quadro de pneumonia, onde permaneceu por mais sete dias. A unidade de saúde informou que o líder indígena apresenta múltiplas comorbidades, entre elas Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), cardiopatia com marcapasso implantado e insuficiência cardíaca.

Em setembro de 2022, ele ficou internado por cinco dias no hospital de Sinop após ser diagnosticado com um problema cardíaco e passar por cirurgia para implante de marcapasso. Depois, passou alguns dias no município de Colíder até voltar para a aldeia. Em julho de 2020, foi internado em um hospital de Colíder após ter passado mal, sendo transferido de avião para Sinop com complicações gastrointestinais e desidratação. Em setembro do mesmo ano, foi novamente internado com diagnóstico de pneumonia pela equipe médica de sua aldeia, no Parque Indígena do Xingu, recebendo alta nove dias depois. Nesse período, também apresentou um quadro depressivo após a morte de sua esposa, Bekwyjkà Metuktire.

Trajetória de ativismo

O cacique Raoni é uma das vozes mais influentes do Brasil na defesa dos indígenas e do meio ambiente. Iniciou seu ativismo em 1954, aprendeu português e foi fundamental para o reconhecimento dos direitos dos povos indígenas na Constituição de 1988. Entre seus feitos:

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  • Ganhou destaque internacional em 1977, quando um documentário sobre sua vida foi exibido no Festival de Cannes, na França;
  • Em 1989, visitou 17 países durante uma turnê internacional ao lado do ex-baixista Sting, da banda The Police;
  • Em 2012, foi recebido pelo então presidente da França, François Hollande, no Palácio do Eliseu, onde pediu pela preservação da Amazônia e dos povos que vivem na região;
  • Em 2020, recebeu o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat);
  • Em 2023, acompanhou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao subir a rampa do Palácio do Planalto;
  • Em 2024, entregou uma carta ao Papa Francisco, durante um encontro no Vaticano, em Roma, para falar sobre mudanças e catástrofes climáticas.